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26/10/2009 - 20h40

Gestão: GAP delineia cenário da recuperação e aponta bom momento de ações

SÃO PAULO - Depois da crise, a calmaria. Ou, segundo a GAP Asset Management, a análise de quão sólida é essa calmaria. "A principal questão hoje é identificar a velocidade e a sustentabilidade da recuperação global já em curso, principalmente em um contexto onde os estímulos monetários e fiscais foram extremamente agressivos", afirmam os gestores em sua mais recente carta mensal, onde delineia o cenário para os próximos meses.

"É válido ressaltar que a história mostra que períodos de contração acentuada são, em geral, seguidos de recuperações econômicas significativas", afirma a gestora de ativos. Entretanto, a GAP destaca que os consumidores e os sistemas financeiros de economias desenvolvidas ainda parecem estar no meio de um processo de desalavancagem, levando a uma recuperação apenas moderada. "Enquanto o setor privado não reassumir o papel de indutor do crescimento e a recuperação não tiver um caráter autossustentando, os estímulos extraordinários devem ser mantidos em sua grande parte", afirma.

Segundo os gestores, os formuladores de política econômica têm agora a missão de formular as estratégias de saída - que devem ter respostas menos coordenadas do que as políticas de incentivo, já que a situação dos países é bastante diversa. "Felizmente, a sinalização dada pelos Bancos Centrais e governos é nessa direção", afirmam os gestores.

Perspectivas para emergentes O cenário para os países emergentes, por sua vez - onde não houve um ciclo de alavancagem tão prolongado quanto o das economias desenvolvidas - é mais otimista. Para os gestores, a resiliência da demanda doméstica e do mercado de trabalho em diversas importantes economias emergentes, aliados a recuperação do investimento na China, fortalecem um cenário onde a economia global pode crescer entre 3% e 4% em 2010.

Em relação à economia brasileira, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) deve ser de aproximadamente 5% em 2010, "em função das defasagens usuais da política monetária e da continuidade da sólida expansão da renda real, em parte ajudada pelas transferências de renda significativas do governo". O cenário inflacionário, por sua vez, vê os riscos aumentarem no médio prazo, com a redução da ociosidade dos fatores de produção - o que deve levar o Banco Central a elevar a taxa básica de juro no segundo semestre do próximo ano.

No caso do real, a tendência de apreciação permanece. "Além da recuperação da economia global e dos preços das commodities, vemos outros fatores positivos: a solidez do investimento direto estrangeiro; o retorno do investimento em portfólio e o novo ciclo de emissões primárias de ações; e a tendência de enfraquecimento global da moeda norte-americana", apontam os gestores.

Renda variável

A GAP afirma que as operações de renda variável também se mostraram bastante lucrativas para os fundos em setembro - cenário que permanece em voga. "As ofertas de ações têm ajudado a elevar o ritmo de fusões e aquisições", afirmam os gestores. Segundo eles, muitas empresas justificam pelo menos parte das captações feitas no mercado com o objetivo de fazer aquisições - a exemplo da Hypermarcas, PDG e BRMalls - enquanto outras podem utilizar o mercado como um "gatilho" para operações corporativas, como foi o caso com a GVT - e poderia ser o caso do negócio de mineração da CSN.

Apesar do bom momento quase generalizado, os gestores destacam a ação da GVT em posição comprada. "A GVT foi uma das posições principais em nossos fundos, pois desde seu IPO em final de 2007 percebemos na empresa um grande potencial de crescimento, administração da melhor qualidade, e alto potencial de valorização. De fato, se considerados os IPOs (Initial Public Offerings) desde 2006, a GVT foi um dos raros casos de empresas que apresentaram performance acionária superior ao índice Ibovespa", apontam.

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