SÃO PAULO - Existem investidores que, por cautela, não abrem mão de deixar parte ou todo o dinheiro que possuem em renda fixa. Para esta modalidade, o ano de 2009 foi marcado principalmente pelo destaque de rentabilidade da poupança, frente aos fundos de renda fixa, e pelas perdas que os aplicadores pós-fixados verificaram devido à queda da Selic. Diante de tudo isso, o que esperar de 2010?
De acordo com o gestor de renda fixa da Um Investimentos, André Mallet, é preciso dividir o próximo ano em duas etapas. "No primeiro semestre, provavelmente, com base nas informações que se têm na presente data, não vai ter mudança no patamar de juro, só a partir do segundo semestre", destacou.
Ele contou que, anteriormente, o que se esperava era uma redução dos juros no início de 2010, mas que a expectativa mudou. Com isso, papéis pré-fixados, que estavam com prêmios altos, já estão encolhendo. "Então, para o perfil conservador a moderado, o ideal é que esteja no pós-fixado". Já para o perfil mais agressivo, ele afirmou que existe um leque de opções maior, como os títulos privados, que vão contar com uma rentabilidade interessante.
No segundo semestre, o que se espera é que o Copom (Comitê de Política Monetária) mexa na taxa Selic, pelo comportamento expressivo da inflação, mas o gestor de renda fixa disse que ainda não se sabe em quanto vai ser esse movimento. "A tendência é que, nesta ocasião, tenha títulos privados com retorno interessante".
Fundos de renda fixa x poupança O educador financeiro Mauro Calil, fundador do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, aposta no Tesouro Direto e nas cadernetas de poupança em 2010. "No Tesouro Direto existem títulos pré-fixados que ainda remuneram satisfatoriamente, mas com a possibilidade de aumento na Selic, seria interessante ter uma parcela em pós-fixados", afirmou.
Em relação ao duelo dos fundos de renda fixa e poupança, que se observou neste ano, ele acredita que irá continuar, dependendo também da atitude que o governo tomará em relação à tributação da poupança. Isso porque o governo anunciou que pode cobrar a alíquota de 22,5% dos rendimentos das cadernetas com recursos acima de R$ 50 mil, a partir de janeiro do próximo ano, se a Selic continuar em um patamar muito baixo. Para passar a valer, a proposta deve ser aprovada pelo Congresso.
"Vai passar ou não o imposto de renda sobre aplicação na poupança? Se não, o duelo vai se intensificar", disse Calil, que acredita que a incidência de 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre o investidor estrangeiro de renda fixa e ações, medida anunciada pelo governo para conter a desvalorização do dólar, diminui a necessidade de tributar a poupança, uma vez que ele acredita que o governo quer tomar essas medidas apenas para aumentar a arrecadação.
Enfim, o educador financeiro ressaltou que o importante para o investidor é ter um título que reponha a inflação, que deve se elevar no próximo ano por conta da demanda maior.
Debêntures de bancos privados Uma outra boa opção em 2010, de acordo com Mallet, é o investimento nos títulos semelhantes às debêntures que poderão ser emitidos por bancos, caso o Banco Central aprove a medida. As debêntures são, basicamente, títulos de renda fixa de médio e longo prazos emitidos por empresas.
"É um produto bastante interessante para este investidor de renda fixa, já que vão vir de empresas sólidas, que são os bancos. São papéis que virão com um prêmio maior frente ao público, por serem privados. Porém, por não ter tanta liquidez, acaba sendo mais interessante para cliente de renda fixa de longo prazo", explicou Mallet.
Apesar das companhias bancárias serem proibidas de lançarem debêntures, estas costumavam realizar emissões por meio de suas empresas de leasing. No entanto, a partir de 2008, o Banco Central decidiu exigir depósito compulsório dessas operações, tirando das financeiras importantes fontes de captação. No entanto, o BC pretende permitir a emissão desses títulos, que já estão sendo chamados de notas bancárias de crédito.