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13/11/2009 - 19h37

Hora de avaliar potenciais ameaças para desvendar até onde a bolsa pode ir

SÃO PAULO - Nada parece comprometer a perspectiva de mais valorização para a bolsa. Pelos ganhos acumulados até aqui, é compreensível o ritmo menos acelerado do Ibovespa nas últimas semanas. Mas a tendência de alta não muda - segue como consenso entre os analistas. Deve subir, mas até onde pode chegar?

"Sem intervenção do governo, acredito que a bolsa chegue em 75 mil pontos tranquilamente" no final do ano. É a aposta de André Ferri, da TBCS. No curto prazo, o analista cita possíveis taxações adicionais ao capital estrangeiro como ameaça. Afinal, todo esse fôlego da bolsa vem de algum lugar - e em boa parte do fluxo.

"Contra fluxo não há argumentos. E nem estou dizendo que esta alta tem fundamentos. Estou dizendo que tem fluxo", completa Ferri.

Mais otimista, mais conservador

Depois da opinião de Ferri, as palavras de André Paes, diretor de estratégia da Infinity Asset Management, parecem mais otimistas com relação à ameaça, porém mais conservadoras em suas projeções.

"Sonoramente o mercado ignorou o IOF. O IOF é só para especulador. Na realidade, o tomador final é quem garante o movimento de alta da bolsa. O especulador quer ganhar volatilidade - para cima ou para baixo. O tomador final não vai se preocupar com 2% em uma posição de bolsa, considerando ainda que o dólar é declinante ao longo do tempo", argumenta.

Refluxo

Fica claro que Paes não vê a possibilidade de novas taxações como uma ameaça a esse fluxo. Para ele, o maior risco é a alta de juros dos países desenvolvidos, "que deve ocorrer lá pelo fim do primeiro semestre". "Aí tem o risco de um fluxo negativo, do pessoal sair de posições mais arriscadas e partir para os títulos de países mais desenvolvidos".

Por isso seu tom mais cauteloso em relação às projeções, que apontam para alta de mais 6% ou 7% até o final do ano - o que levaria a bolsa para algo em torno de 70 mil pontos na virada para 2010. Rafael Ferri concorda com o argumento dos juros. "A perspectiva para o mercado de renda variável é surpreendentemente boa, enquanto o patamar de juros estiver extremamente reduzido, como está".

Vamos ver...

Tentando olhar mais para curto prazo ainda, a próxima semana retira o foco nos resultados corporativos e devolve para a agenda de indicadores - em especial a norte-americana, cheia de dados da indústria e do mercado imobiliário. Por aqui, destaque para os habituais dados de inflação e para o vencimento de opções da segunda-feira.

"O mercado deu uma segurada na última quinta-feira por conta do exercício na segunda." Lembrando que lá fora nem caiu tanto e o Ibovespa recuou 2,99% na quinta-feira em questão. "Mas o mercado pode se surpreender, com uma alta para a máxima do ano na segunda-feira, vamos ver".

Bolha?

Após toda essa avaliação, resta uma última ameaça em potencial. Recentemente, a valorização dos ativos emergentes começou a gerar certo desconforto lá fora, quem sabe de uma bolha nos preços desses ativos. "Se tivesse bolha acho que a Petrobras estaria em R$ 50. Acho que está bem longe", resume Ferri.

Paes concorda. "Os múltiplos brasileiros ainda estão mais baratos que a média da América Latina. Se tem bolha, não é no Brasil".

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