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21/12/2009 - 14h14

Analistas veem fraco volume e volatilidade para a bolsa brasileira nesta semana

SÃO PAULO – A penúltima semana do ano promete ser de baixa liquidez e volatilidade para a bolsa de valores brasileira. Enquanto isso, a agenda doméstica está cheia de índices de inflação e a norte-americana carregada de indicadores importantes.

Segundo Miriam Tavares, diretora da AGK Corretora de Câmbio, tudo pode acontecer nas duas próximas semanas que têm apenas três dias úteis cada. “Enquanto alguns players esperam a continuidade da cautela e das posições conservadoras recentes, outros continuam acreditando numa arrancada final das bolsas”, fala.

Ela destaca que nas últimas décadas, o intervalo entre os meses de dezembro e janeiro sempre foi de alta para as ações, em parte pelo otimismo típico da época e também pelos bons números de desempenho das vendas e anúncios de planos de investimentos pelas empresas.

“Nós acreditamos que, embora com a volatilidade bastante alta, os mercados não se distanciarão muito dos intervalos atuais. Nos mercados internacionais, as bolsas e as commodities devem alternar altas e baixas em torno dos níveis atuais e o dólar não deve ter força para ir muito além do que já foi nas duas últimas semanas”, projeta Miriam.

Já, para o Brasil, a diretora de câmbio fala que após o exercício das opções na Bovespa programado para esta segunda-feira (21), o Ibovespa deve seguir o comportamento dos índices em Wall Street, enquanto o dólar deve oscilar entre R$ 1,74 e R$ 1,79.

Pontos altosPara o analista George Sanders, da Infinity Asset, o marco na semana será o vencimento de opções no Brasil, a revisão do PIB norte-americano e o indicador de consumo também nos Estados Unidos, ambos na terça-feira (22).

“Acho que após o vencimento de opções, o mercado aqui começa de fato a se preparar para o fechamento do ano e começo de 2010, com ajustes em carteiras visando suas apostas. Ainda acho que poderemos ter um rali de fim de ano, levando a bolsa para um patamar próximo de 70 mil pontos”, afirma.

Mas, ele comenta que a alta dependerá, além dos indicadores previstos, também de uma desvinculação das commodities com o câmbio. 

Comentando sobre a ligação entre commodities e mercados emergentes, os analistas do ScotiaBank falam que um colapso na economia global poderia prejudicar fortemente estes países.

Porém, a Gradual Corretora destaca o potencial de desempenho para as empresas do setor de varejo, com a expectativa de que as vendas de Natal se mostrem “excelentes”. “As notícias positivas sobre o comportamento do comércio nos próximos dias poderão se converter em catalisadores para as ações do setor”, afirmam os analistas.

Em sua carteira semana, a equipe de research da Gradual sublinha os papéis do Pão de Açúcar (PCAR5), Marisa (MARI3), BR Foods (BRFS3), Cremer (CREM3) e BR Malls (BRML3), com boas expectativas para o setor de shoppings no cenário “promissor de vendas domésticas”, segundo falam.

AgendaNa semana natalina, a agenda doméstica volta-se para dados de inflação, balança comercial semanal e dados de arrecadação.

“Esperamos que a inflação desacelere em dezembro, em linha com nossa visão de que a pressão vista em novembro foi em grande parte temporária”, afirmam os analistas do Citigroup. Para eles, a queda dos preços de alimentos será o motor da baixa.

Já nos EUA, a lista de indicadores está carregada, com dados sobre gastos e renda pessoal, índice de inflação (PCE), ambos de novembro, revisão do PIB do terceiro trimestre, sentimento do consumidor de Michigan de dezembro, venda de novas casas de novembro, pedidos de auxílio-desemprego semanais e pedidos de bens duráveis também do penúltimo mês.

Na Inglaterra sairá a ata da última reunião do BoE (Bank of England) e a revisão do PIB inglês no terceiro trimestre. Esta semana também acontece a última reunião da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

“A ilha inglesa que sofreu muito com a atual crise financeira deve, realmente, ser a última grande economia a sair da crise. Porém a queda estimada do PIB é menor que a inicialmente pensada para o 3° trimestre e deve fechar não mais em -0,03%, mas sim em -0,1%”, afirmaram os analistas da Gradual.

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