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22/12/2009 - 14h15

Os top 10: equipe do Barclays elege os "mercados emergentes avançados"

SÃO PAULO – Não faz tanto tempo, o termo “mercado emergente” era sinônimo de vulnerabilidade econômica e financeira. Os países assim taxados eram geralmente os primeiros a serem impactados por quaisquer turbulências e os últimos a se recuperarem. Hoje, o cenário é muito diferente.

A maior crise desde 1929 não teve como epicentro alguma frágil economia asiática ou algum país latino-americano, mas sim os EUA, contagiando logo depois a Europa. E enquanto os dois grandes pólos lutam para encontrar o caminho da recuperação, as economias emergentes já começam a registrar crescimentos.

“A habilidade demonstrada por estes países em lidar com a tormenta financeira foi a prova final de sua evolução nos últimos anos”, afirmam os analistas do Barclays, que inspirados pelo tema, decidiram “separar o joio do trigo”. Por sua extrema heterogeneidade, apenas o termo “emergente” não dá mais conta: a equipe sugere, assim, o “emergentes avançados”.

Quase láOs países “emergentes avançados”, nas palavras dos analistas do banco de investimentos, estariam “na metade do caminho entre os emergentes tradicionais e as economias desenvolvidas”. Classificar-se como “emergente avançado” não confere a um mercado a ausência de riscos tampouco a garantia de retornos no curto prazo, mas sim perspectivas altamente favoráveis no longo prazo.

“A lista é um guia para investidores no longo prazo de países cujos ativos devem estar protegidos da extrema volatilidade de mercados emergentes tradicionais e que, ao mesmo tempo, devem reportar ganhos maiores que aqueles registrados por ativos de economias desenvolvidas”, explica o Barclays.

Desta forma, o banco elegeu dez países como os principais representantes deste novo grupo top entre os emergentes. E “embora surpresas sempre sejam possíveis”, a lista tem o objetivo de ser um indicativo confiável de mudanças efêmeras. Em outras palavras, “queremos capturar processos duradouros, e não o último milagre econômico”, afirmam os analistas.

Estabelecendo critériosDefinidos os objetivos, hora de estabelecer critérios. Além de analisar qualitativamente o passado econômico, o Barclays também traçou elementos quantitativos na busca de seus “emergentes avançados”. O principal passo do banco foi analisar a relação entre tendência de crescimento econômico sobre desvio-padrão, em um intervalo de tempo entre 1999 e 2009.

Além deste critério principal, adotado para que sejam filtradas apenas economias com “crescimentos recentes sólidos e estáveis”, três outros critérios foram adicionados na fórmula do Barclays: vulnerabilidade financeira, histórico de políticas institucionais e fatores de desenvolvimento, cada um “representado por um pequeno grupo de indicadores relevantes”.

Os top 10Combinadas, as análises geraram um grupo de dez mercados emergentes, dentre os quais cinco são asiáticos, dois latino-americanos, dois europeus e um africano. Confira a classificação abaixo:

 Emergentes Avançados - Barclays 
Classificação País
1º lugar Cingapura
2º lugar Chile
3º lugar

Coréia do Sul
4º lugar Taiwan
5º lugar Israel
6º lugar China
7º lugar Brasil
8º lugar África do Sul
9º lugar Polônia
10º lugar República Tcheca
Na visão do Barclays, a liderança asiática na lista é reflexo de crescimentos econômicos robustos e estruturas institucionais estáveis, este último fator sendo aplicável também ao Chile e Israel. O Brasil e África do Sul, por sua vez, destacam-se por seu grande potencial futuro de evolução, ao passo que a República Tcheca e a Polônia vem progredindo significativamente na diminuição da desigualdade social e no desenvolvimento humano.

Aquele mais atento deve ter notado, no entanto, que o grupo obtido pelo Barclays contém algumas ausências surpreendentes. A própria equipe destaca a exclusão do México e da Índia como as mais notáveis, mas explica o porquê dos países não terem se classificado na lista.

“No primeiro caso” – isto é, da ausência do México – “boas políticas aplicadas e uma exposição financeira relativamente pequena não compensaram um decepcionante histórico de crescimento e fragilidade institucional”, explica o Barclays. No caso da Índia, o cenário parece ser justamente o oposto.

A despeito das impressionantes taxas de crescimento reportadas pela Índia nos últimos anos, a equipe do Barclays mostra-se receosa quanto à complicada situação fiscal do país, assim como sua inaptidão em transformar expansões econômicas em maior qualidade de vida.

RatingsPor fim, os analistas comentam algumas diferenças entre os resultados obtidos e os rankings de agências de classificação de risco, como, por exemplo, o melhor desempenho dos países latino-americanos na lista por eles elaborada do que na visão das agências de rating.

“As diferenças observadas são justamente indicativos do que acreditamos ser o ponto-chave da nossa classificação: a importância de variáveis que indiquem eventos futuros e que reflitam rapidamente os acontecimentos atuais”, afirma o Barclays.

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