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23/12/2009 - 13h40

Com ajuda estatal e crédito em alta, construção civil vê horizonte favoravel em 2010

SÃO PAULO – Após enfrentar dois momentos antagônicos – com os efeitos da crise até abril e recuperação no restante do ano – a construção civil vivencia um cenário positivo, ao passo que os menores custos de financiamento para a aquisição de imóveis favorecem as vendas no setor.

Alguns fatores como o lançamento do pacote habitacional pelo governo federal e a propulsão do financiamento via SFH (Sistema Financeiro de Habitação) impulsionaram as ações de companhias ligadas aos segmentos de baixa e de média renda. No entanto, em meio à tendência favorável no setor, quais serão os prospectos para 2010?

 “O suporte governamental, aliado ao melhor acesso aos mercados de dívida e ao fortalecimento da demanda, deverá propiciar um ambiente mais favorável para o mercado de construções do Brasil em 2010”, avalia a Fitch Ratings.

Em linha, os analistas da Fator Corretora acreditam que os resultados operacionais serão bastante positivos, em função da recuperação nas vendas de imóveis de média e média alta renda. “Adicionalmente, esperamos que a demanda de imóveis de baixa renda (até R$ 130 mil por unidade) continue forte”, completa a corretora.

Margens em queda, com risco de execuçãoPor outro lado, em decorrência do maior foco na baixa renda, a Fator vê tendência de queda na margem bruta do setor, podendo ser compensada parcialmente pelo aumento da taxa interna de retorno desses projetos, dado que os mesmos expõem menos os caixas das construtoras, além de terem ciclo de construção mais curto.

Além disso, dada a permanência das bases positivas da demanda – pacote habitacional e expansão do crédito –, a corretora acredita o fator critico de crescimento passará a ser a capacidade de construção de cada companhia e do respectivo risco de execução, que é reduzido através de um amplo e diverso banco de terrenos. 

Ciclo acaba, ganhos começamComo decorrência do encerramento de um ciclo de construção iniciado no ano passado e no retrasado, a Fitch Ratings projeta bons fluidos no setor. “As construtoras brasileiras deverão reportar fluxo de caixa positivo em 2010 e nos anos seguintes, após a conclusão da maioria dos projetos lançados em 2007 e 2008”.

Apesar do aumento nos níveis de liquidez, a Fator avalia que as fusões e aquisições deverão ocorrer mais pausadamente no próximo ano, uma vez que não existem empresas no setor com problemas em sua estrutura de capital e liquidez.

PreferênciasCom um viés pormenorizado, a corretora enfatiza alguns pontos que sintetizam suas preferências de investimento: alta velocidade de vendas e baixo nível de estoque, exposição ao segmento econômico, administração experiente, sólida posição de caixa e baixo risco de execução.

“Nossas principais recomendações por ordem de preferência são: Brookfield, Agre, PDG Realty, Rossi Residencial, Tecnisa e Rodobens”, dispara a Fator.

Confira as recomendações da Fator

Empresa Código Preço-alvo Upside(1) Recomendação P/L 2010(2) P/L 2011(2)
Agre - R$ 38,00 (3) - Compra 8,8x 5,9x
Brookfield BISA3 R$ 12,00 53,0% Compra 10,8x 6,1x
Gafisa GFSA3 R$ 32,00 17,8% Manutenção 9,2x 5,6x
PDG Realty PDGR3 R$ 25,00 48,3% Atraente 12,6x 8,7x
MRV MRVE3 R$ 15,00 15,7% Manutenção 11,7x 8,8x
Camargo Corrêa CCIM3 R$ 7,00 20,6% Não Atraente 12,1x 7,8x

Rossi RSID3 R$ 19,00

29,2% Atraente 9,9x 7,0x
Rodobens RDNI3 R$ 28,00 62,7% Atraente 8,4x 4,3x
Tecnisa TCSA3 R$ 13,00 25,6% Atraente 8,4x 5,6x
(1)Com base em 22 de dezembro. (2)P/L (Preço da ação sobre projeção de lucro).(3)Preço teórico.

Agre Conforme a equipe da Fator Corretora, a exposição ao segmento de média renda pela Agre deverá favorecê-la em 2010. Além disso, a experiência de sua administração, bem como a diversificação de seu banco de terrenos, deverá mitigar possíveis riscos operacionais.

Por outro lado, a concentração de seus projetos na área metropolitana de Salvador, que responde por 40% do total, e a alavancagem financeira, explicitada pela relação entre dívida líquida e PL (patrimônio líquido) na casa de 63% no último trimestre, podem atrapalhar o desempenho no próximo ano, segundo os analistas.

BrookfieldOs analistas da Fator acreditam que o tamanho e a diversificação do banco de terrenos e a posição de consolidador de mercado – força do acionista controlador – são pontos positivos da Brookfield. Em adição, a exposição ao segmento de média renda deve ser benéfica em 2010.

Em contrapartida, os analistas veem a centralização das incorporações em São Paulo e no Rio de Janeiro como possível risco, além da junção entre alto nível de estoques (16 meses de vendas) e velocidade de vendas abaixo da média do setor.

Cyrela“As perspectivas para a Cyrela são bastante positivas”, discorre a Brascan Corretora. Nesse sentido, os analistas enxergam benefícios a serem trazidos pela recuperação dos segmentos de média alta e alta renda. A corretora também ressalta o papel crescente da subsidiária Living no front operacional da construtora, dado o foco voltado aos segmentos de média e baixa renda.

No entanto, a dificuldade no repasse de recebíveis aos bancos será bastante prejudicial para o sucesso das operações futuras da empresa, afirma a Brascan. “Um possível aumento nos custos de construção com a aceleração das obras e o maior volume de lançamentos pode levar a uma compressão nas margens operacionais”, completa.

GafisaOs analistas da Fator acreditam que a administração profissional, a exposição a todos os segmentos de renda, a diversificação geográfica e a operação em larga escala deverão favorecer a Gafisa em 2010. Além disso, o alto reconhecimento da marca deve beneficiar a companhia.

Contudo, a corretora destaca negativamente a alavancagem financeira, dada a relação entre dívida líquida e PL próxima a 74% no último trimestre. Em adição, os analistas alertam para possíveis riscos de execução nos projetos de loteamento de Alphaville, região que concentra alta renda no estado de São Paulo.

PDG RealtyConforme a equipe da Fator Corretora, a exposição ao segmento econômico, através da Goldfarb, e a velocidade de vendas acima da média do setor (com 60% vendidos nos nove primeiros meses) são fatores positivos para a companhia. Ademais, o baixo nível de estoques – 8 meses de vendas – e a sólida posição de caixa são pontos ressaltados pelos analistas.    

“A PDG continua a ser nossa principal recomendação do setor, com forte crescimento dos lançamentos e vendas contratadas a partir de 2010, exposição crescente ao pacote habitacional e a possibilidade de crescimento via aquisições”, completam os analistas.

Todavia, a dependência da Caixa Econômica Federal na aprovação de projetos para o pacote habitacional e o aumento da concorrência no segmento econômico podem ser riscos no caminho de 2010 da PDG Realty.

MRVPara a Brascan Corretora, a recente captação de recursos com a oferta de ações e a quase totalidade da conversão de debêntures em ações permitirá crescimento significativo no VGV lançado e nas vendas contratadas dos próximos trimestres. “A alavancagem financeira da empresa atualmente é baixíssima, o que garante uma enorme flexibilidade operacional e segurança”, completam os analistas.

Entretanto, os analistas destacam negativamente possíveis riscos relacionados à administração do capital de giro e do potencial de crescimento. Adicionalmente, a maior concorrência de projetos no segmento de baixa renda pode prejudicar a MRV, bem como sua dependência aos financiamentos da Caixa Econômica Federal.

RodobensConforme análise da Fator Corretora, a atuação expressiva no interior do País aliada à alta velocidade das vendas deve favorecer os papéis em 2010. Além disso, a junção entre experiência no segmento econômico e exposição ao pacote habitacional do governo trará bons frutos à companhia.

Por outro lado, a equipe de research enxerga a dependência da Caixa Econômica Federal para a aprovação de financiamentos do pacote habitacional como um potencial risco à Rodobens. Outro ponto negativo salientado pelos analistas foi a baixa liquidez das ações.

“O nível de endividamento aumentou e a Rodobens continua com dificuldade em realizar o repasse e a securitização dos recebíveis performados. Acreditamos que a postura da companhia é conservadora ao preservar sua posição de caixa”, completa a corretora.

Rossi ResidencialOs analistas da Fator ressaltam os seguintes pontos: diversificação geográfica, expertise e exposição a todos os segmentos de renda; administração experiente; bons controles do uso do sistema SAP; e alto reconhecimento da marca. “Continuamos a acreditar em perspectivas positivas para a Rossi, pois a empresa possui boa diversificação geográfica e de produtos”, dizem os analistas.

Em contrapartida, a queda esperada nas margens da companhia, como decorrência da maior participação do segmento de baixa renda no portfólio, bem como a maior concorrência no segmento econômico, podem ser fatores negativos em 2010.     

TecnisaA Fator acredita que a boa velocidade de vendas da companhia, com o desenvolvimento de seus produtos e a gestão financeira conservadora devem ser pontos de destaque em 2010.

“O problema de atraso nas aprovações de projetos em São Paulo continua e a empresa espera volume baixo de lançamentos no quarto trimestre de 2009”, afirma a equipe de análise da Fator Corretora, prevendo imbróglios no final do ano.

Contudo, a equipe de analistas enxerga a alta concentração do banco de terrenos em São Paulo como negativa, além da pouca exposição ao segmento de baixa renda.

Últimos olharesPor fim, a Fator Corretora lista alguns pontos a se atentar: 

  • Administração do capital de giro e posição de caixa: os analistas alertam para o consumo do caixa, que financiará o crescimento dos lançamentos e vendas;


  • Velocidade de vendas: para a corretora, o volume de vendas contratadas é um indicador chave para o acompanhamento operacional do setor;


  • Margens em queda: diante da maior participação do segmento econômico, os analistas veem provável recuo nas margens;


  • Agilidade da Caixa Econômica Federal: a corretora enfatiza a demora do órgão estatal para aprovar os financiamentos do pacote habitacional, visto que, até o fim de novembro último, apenas 44% da meta de 2009 tinha sido aprovada.

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