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11/01/2010 - 14h25

Aposta para a semana é de continuidade da alta da bolsa, mas com oscilações

SÃO PAULO – A segunda semana do ano promete volatilidade, mas segue com viés otimista, de acordo com analistas. Para eles, o mercado acompanhará cada um dos indicadores com expectativa, e caso algum surpreenda, os efeitos serão sentidos nas bolsas de valores.

Conforme explica Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora de Câmbio, existem duas forças opostas puxando a tendência dos mercados: por um lado, a abundante liquidez e a redução de aversão ao risco e, por outro, a percepção de que a retomada do mercado norte-americano é sustentável e pode levar à alta de juros no país.

“Como o cenário deve continuar indefinido ainda por algum tempo, no curto prazo, essas forças contrárias devem manter as oscilações nas expectativas dos estrategistas e investidores globais com relação à política monetária americana e no apetite para o risco”, fala.

Neste contexto, Miriam acredita que a volatilidade para os preços dos ativos financeiros globais deve prosseguir, sem que estes consigam se distanciar de forma significativa dos intervalos atuais.

“As bolsas devem alternar altas e baixas, refletindo o apetite global por risco, inclusive aqui, onde alguns players esperam que o grande fluxo de recurso estrangeiro que foi destinado aos mercados emergentes durante os primeiros dias de janeiro prossiga e leve o Ibovespa para novas máximas”, afirma.

Ibovespa

Também com perspectiva otimista está o economista Silvio Campos Neto, do Banco Schahin. Para Campos Neto, a dinâmica favorável da demanda doméstica acaba criando um cenário positivo para o Brasil e influencia as perspectivas para as empresas que atuam localmente.

“A perspectiva de maiores lucros corporativos sustenta parte da alta dos preços das ações, o que pode levar o Ibovespa a se aproximar do nível recorde de maio de 2008”, fala.

Ele explica que atualmente, os dados trazem retomada da produção industrial brasileira, com o setor de bens de capital ainda em ascensão, o que pode levar os empresários a retomar os investimentos.

Além disso, a valorização das commodities também traz reflexos favoráveis aos preços dos ativos brasileiros, como ações e moeda, segundo destaca o economista do banco Schahin. “Ao menos por enquanto permanece o sinal de alta para a bolsa e de apreciação cambial, que conta também com a desvalorização recente do dólar em termos globais”, fala.

Porém ele atenta que é preciso monitorar o risco de algum pequeno ajuste na renda variável ao longo da semana, após os ganhos acumulados nos últimos dias.

Neste aspecto, o analista George Sanders, da Infinity Asset, é mais enfático, ao afirmar que os investidores devem continuar realizando os ajustes de portfólio de início do ano, movimento que tem contribuído para o elevado volume de negociação do mercado local, em sua análise.

“Sem grandes solavancos, a tendência é de manutenção do Ibovespa, em patamares próximos dos 70 mil pontos”, fala Sanders.

Riscos

Apesar do otimismo, analistas apontam possíveis riscos para o desempenho do mercado acionário. Alguns deles, segundo Silvio Campos Neto do Schahin, são do âmbito internacional. São eles: a lenta recuperação das economias desenvolvidas, o risco envolvendo as finanças públicas de diversos países europeus e a possibilidade de aperto monetário na China, diante dos temores de aceleração inflacionária.

Além disso, permanece ainda em aberto a questão da taxa básica de juros dos EUA. “A incerteza sobre a força da retomada nos EUA tem levado a projeções muito diferentes quanto às perspectivas para a política monetária do país em 2010, adicionando volatilidade às taxas de câmbio em termos globais”, fala Campos.

Já, internamente, também há fatores capazes de provocar volatilidade, como a questão da elevação da Selic e as eleições presidenciais.

“A inflação entra em uma fase de fortes pressões sazonais e pontuais, o que já ficou evidente nos levantamentos iniciais de janeiro. Fica a incerteza quanto à parcela permanente das pressões para os meses seguintes, o que será crucial na definição do timing do aperto monetário que deverá ser implementado ao longo deste ano”, aponta.

Agenda

Na pauta de divulgações da semana, estão dados importantes nos Estados Unidos, Europa e Brasil. No caso brasileiro, as atenções se voltam para a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário de Novembro (IBGE), Pesquisa Mensal de Comércio de novembro (IBGE) e os índices de inflação (IPC-Fipe, IGP-M, IPCA, IGP-10).

Já, no âmbito externo, o destaque será os EUA, onde sairão os números de vendas no varejo, produção industrial, índice de manufatura, confiança do consumidor e o Livro Bege do Fed (Federal Reserve), que deve vir, segundo analistas, com o mesmo tom da ata do BC falando em melhora econômica.

Também estão previstos o início da temporada de balanços corporativos do quarto trimestre e o desempenho da indústria da Zona do Euro e do Reino Unido na quarta-feira (13).

“Os animadores dados da Ásia no início desta semana indicam tendência de alta no curtíssimo prazo. Contudo, os resultados corporativos norte-americanos deverão guiar o rumo dos mercados em conjunto com os dados econômicos previstos na semana. Permanecemos otimistas em relação à performance desta semana”, falam os analistas da Planner Corretora.

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