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11/01/2010 - 16h00

Para MorningStar, renda fixa é indispensável até aos investidores arrojados

SÃO PAULO - Os investimentos em renda fixa normalmente atraem investidores mais conservadores, que muitas vezes se utilizam deste segmento para se defender da volatilidade na renda variável.

Seguindo o dito comum no mercado externo, quanto mais jovem o investidor for, mais risco ele costuma estar apto a tomar. Contradizendo esta ideia, a Morningstar avalia que "até mesmo os investidores mais jovens devem deter títulos". Mas até que ponto a renda fixa deve fazer parte do portfólio de cada investidor? Qual é o peso ideal de investimento nos chamados "bonds"?

De acordo com a equipe da Morningstar, existem alguns pontos importantes que devem ser levados em conta na hora de responder a estas indagações. Todos eles levam a crer que é preciso deter no mínimo 10% do seu portfólio em títulos corporativos, segundo revela Kyle Bumpus, autor da publicação.

Por que não investir 100% em ações?

Mesmo os jovens investidores, que teoricamente possuem mais tempo para correr atrás de eventuais prejuízos oriundos da renda variável, devem manter um número mínimo de títulos em seu portfólio. Após estudar o comportamento dos bonds nos últimos anos, Bumpus descobriu que a alocação de 10% da carteira de investimentos em títulos foi responsável por diminuir significativamente o risco, enquanto reduziu o retorno apenas ligeiramente, em 0,22% por ano em um período de 30 anos.

"Se você for um investidor com maior apetite ao risco, não há nada de errado com um portfólio de 100% em ações. No longo prazo (30 anos no mínimo) você deve performar acima do desempenho de uma carteira menos agressiva", diz Bumpus, que mesmo assim destaca a importância de se ter uma margem mínima de segurança. "Sobre um patamar mínimo de bonds eu poderia dizer que pelo menos 10% do portfólio parece ser adequado". 

Para defender sua tese, Bumpus revela que o investidor não deve menosprezar os riscos. De acordo com ele, a balança entre risco e retorno de uma carteira de investimentos composta por 80% em renda variável e 20% em renda fixa, ou ainda de 90% contra 10%, "é de longe bastante superior ao portfólio 100% / 0%. Lembre-se de que tanto risco como retorno são importantes para se investir", destaca.

Não subestime um bearmarket para as ações

Mesmo concordando que é bastante improvável que os títulos devam performar acima do desempenho das ações em um período de 40 a 50 anos, Bumpus alerta para o fato de as pessoas acreditarem que as chances de isso acontecer são praticamente nulas, elevando o risco de uma surpresa desagradável.

"Enquanto a probabilidade de um desastre como esse ocorrer é quase certamente menor que 1%, existe uma enorme diferença, na visão matemática, entre 1% e 0,001%. (...) Se você estimar que as chances dos bonds performarem acima do desempenho das ações são de 0,001% e ajustar seu portfólio em conformidade com tal projeção ao passo que a real probabilidade é de 1%, então você terá subestimado as chances de um desastre em sua carteira em mil vezes!", explica Bumpus.

Neste sentido, a Morningstar destaca que subestimar este risco é ignorar as chances de um desastre, por mais remotas que elas sejam. "Se este não é um motivo suficiente para o investidor possuir ao menos alguns títulos, eu não sei o que será", enfatiza Bumpus. 

Mantenha uma reserva de títulos, só por segurança...

O último argumento utilizado para defender um investimento mínimo em renda fixa é o bom senso. A exemplo da última crise financeira que deteriorou os mercados no final de 2008 e início do ano passado, um momento de instabilidade econômica é sempre uma chance dos investidores comprarem ações a preços baratos. Uma ação comprada em meio a um cenário recessivo tem expectativa de retorno futuro muito maior do que um papel adquirido em qualquer outra circunstância.

Apesar disso, Bumpus faz uma ressalva: "se o seu portfólio é composto por 100% de ações durante uma crise, de onde você tirará o dinheiro necessário para comprar mais ações enquanto estão baratas?". Neste sentido, seja pelo bom senso ou simplesmente por segurança, não fará nada mal deter uns títulos de longo prazo. "Se você tivesse uma pequena parcela de seu portfólio em bonds, digamos 15%, você automaticamente poderia comprar mais ações a preços menores", concluiu à Morningstar. 

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