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11/01/2010 - 12h59

Em São Paulo, tempo de trabalho exigido para comprar cesta básica é o menor desde 1970

SÃO PAULO – A jornada de trabalho necessária para adquirir a cesta básica do paulistano é a menor desde 1970. Em dezembro de 2009, na capital paulista, o trabalhador precisou trabalhar 109 horas e 53 minutos para comprar a cesta básica. Em 1970, a mesma compra exigia 106 horas e 11 minutos. Desde então, a jornada exigida nunca foi tão baixa.

Os dados são do levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgados nesta segunda-feira (11). De acordo com os números do órgão, o ano de 1959 registrou a menor jornada de trabalho exigida para comprar a cesta básica: 65 horas e 5 minutos.

Já o maior tempo registrado no levantamento foi em 1987, quanto o trabalhador paulistano precisava de 208 horas e 28 minutos de trabalho para fazer a compra.

Para o economista e coordenador do levantamento, José Maurício Soares, dois fatores contribuíram para a queda bastante representativa em 2009, por se considerar os últimos 40 anos. "O primeiro é o aumento real do salário mínimo, que começou a ser visto desde 1995, e a baixa inflação, que hoje está em torno de 4%", declarou Soares. "Em segundo, vem a queda dos preços de vários produtos. Essas duas coisas se convergiram e, sem dúvida, levaram a esse resultado", completou o economista.

Menor comprometimento


O percentual do salário mínimo comprometido com a cesta básica em dezembro de 2009 também registrou o menor índice em quase 40 anos. No mês passado, a compra dos itens básicos de alimentação correspondia a 49,47% da renda do paulistano que recebia um salário mínimo.

Índice inferior só havia sido registrado em 1971: 46,58%. Em 1970, o comprometimento era ainda menor: 43,82%. Para comparação, em 1959 - primeiro ano que aparece no levantamento do Dieese - a cesta básica correspondia a apenas 27,12% do salário mínimo do paulistano.

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