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13/01/2010 - 12h05

Juro menor e renda maior devem mudar perfil de previdência no Brasil

SÃO PAULO – A redução da taxa básica de juro e o aumento do emprego e da renda dos brasileiros devem ditar o destino da previdência privada neste ano.

De acordo com o diretor-executivo do Itaú Vida e Previdência, Osvaldo do Nascimento, 2010 será o ano da portabilidade para produtos de previdência privada com renda variável, o que acompanha a redução da taxa básica de juro. “Nós orientamos que as ações fiquem [sejam alocadas] nos investimentos de longo prazo, então que fiquem na previdência privada”.

Inversão de cenário

Segundo o gerente de Investimentos da Brasilprev, Altair Cesar, a tendência de migração para a renda variável é natural, já que, com a queda da taxa básica de juro, dificilmente os brasileiros vão deixar de entrar no mercado de bolsa. “Nós não teremos ativos diferentes no País. A gente não sabe até quando a poupança terá garantia de 6% mais TR [taxa referencial]. Então, fica cada vez mais evidente que o mercado vai ter de migrar para a renda variável”.

Atualmente, o brasileiro ainda está com seus recursos alocados em renda fixa, mas o cenário está mudando. “Uma boa parcela da nossa captação líquida do ano de 2009 foi em fundos de renda variável”, disse Cesar. Porém, 80% dos recursos ainda estão em renda fixa, ante 20% em renda variável. Há três anos, a proporção era de 95% para renda fixa e 5%, para ações.

Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que, em 2009, fundos de previdência com renda variável tiveram captação de R$ 366,31 milhões, ante R$ 54,11 milhões dos fundos sem renda variável. Em relação à rentabilidade, a previdência com ação teve um desempenho de 30,59% no ano, ante 10,33% da previdência sem renda variável.

Tendências para 2010

Ainda sobre as tendências para o mercado de previdência privada em 2010, Nascimento citou o crescimento dos produtos de disciplina, que são os de contribuição mensal, os quais acompanham a empregabilidade, que tende a melhorar neste ano. Além disso, ele apontou os produtos para jovens, que ganham destaque com o aumento da renda.

Em 2010, Nascimento disse que deve ser lançado o plano de previdência que visa a complementar a saúde. A regulamentação do novo produto já foi elaborada e aprovada pela Susep (Superintendência de Seguros Privados), mas ainda está em análise pelo governo.

O produto prevê que o investidor possa tirar dinheiro de seu plano de previdência, sem ter de pagar Imposto de Renda, desde que seja para arcar com despesas médico-hospitalares, nos moldes de um VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).

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