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13/01/2010 - 13h30

Setor de consumo é o preferido dos analistas nas carteiras de janeiro

SÃO PAULO – Repetindo o resultado de dezembro, o setor de consumo e varejo ficou na liderança nas carteiras recomendadas para o primeiro mês de 2010, conforme levantamento feito pela InfoMoney. Em segundo e terceiro lugares aparecem, respectivamente, os setores financeiro e de petróleo e gás.

As carteiras consideradas este mês, que incluíram bancos e corretoras, foram: Amaril Franklin, Ativa, Brascan, Banif, BTG Pactual, Bradesco, BB, Citi, Coinvalores, Fator, HSBC, Itaú Corretora, Link, Omar Camargo, Planner, Pilla, Souza Barros, Spinelli, Senso, Socopa, SLW, XP Investimentos e Wintrade.

Consumo na onda do Brasil

De carona com as perspectivas positivas para a economia brasileira, o setor de consumo lidera com boa margem as recomendações dos analistas – foram 42 votos, contra 32 do setor financeiro, que ficou com o segundo lugar.

A Brascan, por exemplo, optou por manter ativos relacionados ao mercado interno – caso do consumo – em sua carteira para o mês, repercutindo dados positivos no cenário doméstico. Para os analistas, o atual momento do País parece "reunir condições cada vez mais realistas para um crescimento acima de 5% em 2010".

De acordo com dados da CNDL/SPC Brasil, a demanda interna será a responsável pelo crescimento de 6,1% da economia brasileira neste ano, resultado da expansão do crédito, do aumento dos salários acima da inflação, do controle da inflação, dos investimentos em infraestrutura e do aumento do poder de compra das classes C, D e E.

Setores Recomendações
Consumo e Varejo 42
Financeiro 32
Petróleo e Gás 23
Mineração 22
Siderúrgico 19
Transporte 19
Imobiliário 15
Energia e Saneamento 14
Telecomunicações 14
Industrial 12
Tecnologia e Internet 4
Papel e Celulose 4
Petroquímico 3
Além disso, as recentes fusões e aquisições do setor também chamam a atenção. Algumas das empresas mais indicadas, como Pão de Açúcar e BR Foods, ainda devem se beneficiar das sinergias da fusão de operações com a Casas Bahia e a Sadia, respectivamente, trazendo boas projeções para o setor.

Neste aspecto, vale destacar que a compra da Neo Química pela Hypermarcas foi avaliada pelo Credit Suisse como positiva em relatório de dezembro. Os analistas ainda veem mais espaço para a Hypermarcas continuar sua expansão em 2010.

Por fim, a expectativa de fortes vendas no Natal – ressaltadas pelo Banif na recomendação de BR Foods e Pão de Açúcar – dão impulso extra ao setor.

Financeiras mantêm segundo lugar

Repetindo o resultado do último mês de 2009, o setor financeiro ficou com a segunda posição nas carteiras de janeiro, com 32 recomendações. Além das sinergias esperadas do Itaú Unibanco – uma das empresas mais votadas no setor – a melhora do cenário macroeconômico aparece como forte driver para os ativos do segmento.

Para a Socopa, as instituições financeiras continuam atrasadas em relação ao mercado. “Os bancos brasileiros apresentam fortes fundamentos, estão bem capitalizados e o sistema financeiro nacional é bastante regulado”, aponta a corretora.

Já de acordo com o Bank of America Merrill Lynch, o relatório de crédito do Banco Central de novembro apontou expansão dos empréstimos na comparação anual, ponto também positivo para o segmento. “A concessão de crédito avançou impulsionada por uma combinação de empréstimos ao varejo e a empresas”, destaca o banco norte-americano.

Os analistas afirmam ainda que os dados demonstram uma melhora na qualidade dos ativos – o que, por sua vez, segue como suporte para uma melhora da taxa de inadimplência, e é “consistente com a recuperação econômica e melhor dinâmica do mercado de trabalho do País”.

O JP Morgan também destaca o relatório do BC como sinal de que as condições de crédito estão melhorando no Brasil. “Acreditamos que condições de crédito favoráveis apontem para fortes avanços nos lucros dos bancos brasileiros em 2010”, comentam os analistas.

Além disso, as boas perspectivas para a bolsa brasileira ajudam a segurar o setor na segunda posição – já que a BM&F Bovespa é uma das empresas com maior número de recomendações. Segundo Henrique Caldeira, analista do Barclays, o case BM&F Bovespa oferece uma boa combinação para este ano, por ser um investimento atrativo, com forte potencial de valorização a longo prazo e de crescimento no volume das negociações.

Caldeira destaca que a combinação de novas plataformas de negociações implementadas no último ano e a possibilidade de investidores estrangeiros realizarem depósitos de margem de derivativos acabam contribuindo para a perspectiva de crescimento do volume de negociações em 2010.

Petróleo e Petrobras

Na terceira posição, com 23 recomendações, aparece o setor de petróleo e gás, puxado pelas 17 recomendações dos analistas para a Petrobras.

A Win, por exemplo, aponta que a estatal tem aumentado o volume de petróleo extraído, assim como suas reservas comprovadas depois da descoberta de Tupi e Júpiter. “Ela ampliou, inclusive, sua capacidade de refino e distribuição, amenizando o efeito negativo da queda da cotação do petróleo no mercado internacional”, afirmam os analistas. A Socopa, por sua vez, acredita que novas descobertas podem ser divulgadas no médio prazo.

O movimento de alta dos preços das commodities – incluindo o petróleo – também deve impulsionar os papéis da Petrobras. No início do mês, o Citi elevou as projeções para o preço do petróleo para refletir as expectativas de um cenário mais apertado de oferta e demanda no período entre 2010 e 2013.

O banco norte-americano aponta a empresa como sua top pick entre as empresas latino-americanas do setor, devido às perspectivas de retorno do forte perfil de crescimento em 2010, após o fim das discussões regulatórias. “Os lucros devem manter uma tendência de alta devido ao avanço no preço das commodities, melhores margens de refino e crescimento da produção”, afirmam os analistas.

Além das recomendações da estatal, outra empresa de destaque no setor é a OGX Petróleo, que teve seis recomendações em janeiro. Segundo os analistas da Itaú Corretora, a OGX é a empresa favorita no setor, com base nas recentes descobertas, nas estimativas de volume e nos planos de produção acelerada.

O Credit Suisse, por sua vez, elevou no início desta semana o preço-alvo da ação da OGX de R$ 20,00 para R$ 25,00, com base nas recentes descobertas de hidrocarbonetos nos poços de Waimea e Pipeline e à valorização do papel da empresa durante o final do ano passado.

Segundo o relatório do banco, o novo preço-alvo para a companhia inclui novas premissas, como o aumento nos volumes do projeto Pipeline e na Bacia do Espírito Santo; a incorporação da expectativa de uma produção mais agressiva no sul da Bacia de Campos; um ligeiro aumento nas projeções de custos; e a inclusão dos ativos de Parnaíba no modelo de avaliação.

Cabe mencionar que o setor de mineração, que ficou com o terceiro lugar no mês passado, recebeu 22 votos – largamente apoiado nas recomendações da Vale, que recebeu 20 votos e ficou na liderança das preferências dos analistas para janeiro.

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