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14/01/2010 - 12h25

Preço da gasolina deve subir, mas o do álcool cairá, diz FGV

SÃO PAULO – Com a redução de 25% para 20% da adição de álcool anidro a gasolina, o preço do derivado de petróleo pode subir, dizem os economistas da FGV (Fundação Getulio Vargas). De acordo com nota divulgada nesta quinta-feira (14) pela entidade, como a gasolina pura é mais cara que o o álcool anidro, o motorista sentirá o aumento na hora de abastecer o carro já a partir de fevereiro.

A redução do percentual de adição de álcool à gasolina, anunciada na última semana, será colocada em prática a partir de fevereiro e vigorará até maio. A ideia, segundo o Governo, é reduzir o preço do álcool, que vem subindo gradativamente nos últimos meses - por conta do aumento da demanda e queda da oferta do combustível - e evitar o desabastecimento.

Especialistas da FGV acreditam que a queda nos preços do álcool virá, mas o valor do litro da gasolina deve subir, como efeito colateral da medida. O presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo), José Alberto Paiva, também acredita em aumento do preço do derivado de petróleo, mas, ao contrário dos especialistas da FGV, não prevê queda do preço do derivado de cana.

Aumento de 2%

Segundo André Braz, economista da entidade, o valor da gasolina poderá ficar cerca de 2% mais caro já a partir de fevereiro. Segundo ele, porém, após terminado o prazo para que o percentual de adição seja de 20%, o aumento não será sentido de maneira intensa.

"Dado que a gasolina pesa 3% no IPC (Índice de Preço ao Consumidor), este aumento momentâneo deverá impactar 0,06 ponto percentual no IPC do mês", afirmou, por meio de nota. "Após o dia 1º de maio, este impacto começará a ser dissipado e seu efeito tende a ser nulo na inflação de 2010", disse. Para o Sincopetro, o aumento será maior e deve ficar entre 6% e 8%. 

Apesar da elevação dos preços da gasolina, Braz acredita que a redução do percentual de álcool ao derivado de petróleo impedirá aumentos maiores dos valores do derivado de cana. Para ele, a demanda cresce por conta do aumento da frota de carros bicombustíveis.

Para Maurício Canêdo, pesquisador da FGV, a elevação do preço da gasolina é uma questão de tempo, "o suficiente para a renovação dos estoques no varejo", já que, com as altas constantes dos preços do álcool, o consumidor abasteceu com gasolina.

Essa elevação na demanda foi uma consequência natural, na opinião da especialista em petróleo e gás da entidade, Adriana Perez. Segundo ela, o consumidor percebeu os aumentos. Nas últimas quatro semanas, por exemplo, o incremento médio ficou em 3,31%. 

Preço do álcool não irá cair

Para Paiva, da Sincopetro, a medida não irá reduzir o preço do álcool, como prevê o Governo. “Preço só cai quando há grande estoque e o Brasil, neste momento, não tem. Os litros que chegarão a mais no mercado não serão suficientes e o preço não terá como ser reduzido”, afirmou. 

Ele diz ainda que não concorda com a redução e que os cerca de 100 milhões de litros de álcool que serão colocados a mais por mês, por conta da medida, ainda é pouco. "É um número bom, mas é muito pequeno, não causa tanta diferença assim. Para se ter uma ideia, o Brasil consome em média 1,2 bilhão de litros, ou seja, não chega a 10%, então, não muda nada”, explica.

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