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15/01/2010 - 20h35

Comentário semanal: bolsas recuam com agenda cheia e resultados corporativos

SÃO PAULO - Os principais mercados globais recuaram na segunda semana de 2010, avaliando uma pesada agenda – que incluiu o Livro Bege do Federal Reserve. O documento revelou que as condições da economia norte-americana seguem se recuperando de forma modesta, e reiterou as preocupações com o mercado de trabalho e com o crédito. O início da temporada de resultados corporativos nos EUA também trouxe pressões às bolsas.

Assim, o Ibovespa acompanhou os mercados e fechou a semana com perdas de 1,83%, a 68.978 pontos. No ano, o índice acumula valorização de 0,57%.

A Brasil Telecom liderou as quedas do índice no período, com desvalorização de 13,63%. Os ativos da empresa despencaram na sexta-feira (15) depois que a Oi solicitou o adiamento da fase final do processo de incorporação da empresa. A empresa constatou que a provisão das dívidas judiciais da Brasil Telecom, que girava em torno de R$ 1,3 bilhão, deve totalizar R$ 2,5 bilhões, e pediu mudanças nos termos do acordo.

Por outro lado, a MMX liderou os ganhos da semana, com avanço de 7,27% no período – mesmo com a forte queda dos papéis na sexta-feira. As ações da empresa tiveram sua recomendação elevada para “compra” pelo Bank of America Merrill Lynch, que revisou a expectativa para o preço do minério de ferro.

Em relação às duas ações mais líquidas do índice, o movimento foi negativo – com exceção dos papéis preferenciais da Vale, que avançaram 1,30%. Já os ativos ordinários da mineradora caíram 0,67% no período, enquanto os papéis da Petrobras recuaram 3,25% e 3,05%, na mesma ordem.

Noticiário

Além do Livro Bege do Fed, o destaque do noticiário ficou com o anúncio da Casa Branca de que o presidente norte-americano, Barack Obama, irá propor uma taxação especial de 10 anos sobre os principais bancos norte-americanos. Segundo o Tesouro dos EUA, o objetivo é que a arrecadação, que deve chegar a US$ 90 bilhões nos próximos dez anos, reponha aos cofres públicos o dinheiro emprestado a estas firmas ao longo da crise.

Além disso, a decisão do presidente Hugo Chávez de desvalorizar o bolívar mexeu com os mercados no início da semana. Na Europa, a Grécia também foi fonte de desconforto, depois que uma equipe do FMI (Fundo Monetário Internacional) foi ao país para auxiliar o governo em pontos como política de impostos e gerenciamento de orçamento.

Agenda

A agitada agenda de indicadores atraiu as atenções dos investidores durante a semana. Nos EUA, o orçamento do governo registrou déficit de US$ 91,854 bilhões em dezembro de 2009 - décimo quinto mês seguido de saldo negativo -, em linha com as projeções. Já déficit comercial passou de US$ 33,2 bilhões para US$ 36,4 bilhões em novembro do mesmo ano, frente à previsão de saldo negativo de US$ 34,6 bilhões.

O volume das vendas ao mercado varejista norte-americano decepcionou o mercado, assim como o número de pedidos de auxílio-desemprego. Já o CPI (Consumer Price Index) revelou alta semelhante às projeções, e o Core CPI, que exclui os itens mais voláteis, como energia e alimentação, também veio em linha com o esperado.

A produção industrial dos EUA também ficou dentro das projeções dos analistas, enquanto a capacidade industrial utilizada superou as expectativas – o mesmo aconteceu com o NY Empire State Index. Além disso, os pedidos de hipoteca subiram 14% na semana passada, enquanto as vendas de casas subiram 43% de janeiro a novembro de 2009.

No Brasil, as vendas do varejo cresceram 1,1% em novembro, completando sete meses de aumento no volume. Já a variação nos preços medida pelo IGP-10 (Índice Geral de Preços - 10) no período de trinta dias até 10 de janeiro foi positiva em 0,20%. Já o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de dezembro do ano passado registrou alta de 0,37%. Com isso, o acréscimo nos preços constatado em 2009 ficou em 4,31%, abaixo do centro da meta estipulada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Também foi divulgado o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) do primeiro decêndio do mês, que apontou inflação de 0,27%. Da inflação ao mercado de trabalho, a indústria brasileira registrou em novembro ante a outubro uma alta de 1,1% na taxa de emprego – a maior expansão desde janeiro de 2001.

Ainda no front doméstico, a balança comercial iniciou 2010 com saldo negativo de US$ 375 milhões. Por fim, o fluxo cambial acumulou déficit de US$ 1,768 bilhão na primeira semana de janeiro.

Além disso, o governo alemão divulgou a revisão do PIB (Produto Interno Bruto) de 2009, apontando queda de 5% no acumulado do ano, acima da expectativa do mercado.

Já a China mostrou que suas exportações totais avançaram 17,7% em dezembro, ultrapassando a Alemanha como o maior exportador do mundo. As vendas de carros do país tiveram um aumento de 55,9% em 2009, passando os EUA no posto de maior mercado automobilístico do mundo.

Cenário corporativo

A temporada de resultados trimestrais movimentou os mercados na segunda semana do ano, com grandes empresas como Intel e Alcoa revelando seus números. Enquanto a primeira mostrou lucro acima do esperado, a Alcoa relatou lucro líquido de US$ 0,01 por ação no último trimestre, aquém das projeções. Já o balanço do JPMorgan, apesar de parecer animador, repercutiu mal nos mercados, que reagiu a perdas registradas no segmento comercial e ao aumento nas provisões.

Além disso, a siderúrgica sul-coreana Posco reportou seu maior ganho dos últimos seis trimestres no período de outubro a dezembro do ano passado, enquanto a Rio Tinto mostrou aumento de 49% na produção de minério de ferro referente ao último trimestre.

Por aqui, ALL, MRV, Even, Minerva, EzTec, Tegma e Hering revelaram seus resultados preliminares, enquanto a TAM mostrou queda na taxa de ocupação dos seus aviões no mercado doméstico e internacional em dezembro. Já o Pão de Açúcar reportou seu desempenho operacional, enquanto a Embraer bateu as suas expectativas de entrega de jatos em 2009.

A Petrobras ficou em foco em meio a rumores de que teria assinado, em parceria com a Exxon Mobil, um acordo com a petroleira turca Turkish Petroleum Corporation (TPAO) para exploração no Mar Negro, e de que estaria estudando um acordo com a portuguesa Galp para entrar no mercado europeu de combustíveis como exportadora de diesel. A estatal ainda divulgou o resultado de suas reservas provadas em 2009, apontando redução de 1,5%, para 14,865 bilhões de boe (barris de óleo equivalente).

Ainda no setor, a OGX anunciou novas descobertas de hidrocarbonetos na Bacia de Campos, e viu o preço-alvo de seus papéis ser elevado pelo Credit Suisse.

Entre as fusões e aquisições, a Kraft Foods realizou oferta hostil de £ 10,5 bilhões pela Cadbury – rejeitada pelo O CEO (Chief Executive Officer) da britânica, que pediu o mesmo aos seus acionistas. Por aqui, o Grupo Camargo Corrêa anunciou que também pretende entrar na briga pela compra da Cimpor, e a Bunge está negociando a venda da fatia que detem na controlada Fosfertil para a Vale. Em comunicado, a Vale confirmou as negociações e apontou a compra de até 42,3% do capital da companhia, em uma operação que não deve ultrapassar os R$ 3,8 bilhões.

Câmbio e Renda Fixa

A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,773, o que representa uma alta de 2,49% frente ao fechamento da semana passada. Essa foi a maior variação positiva semanal desde novembro de 2008, quando a moeda avançou 8,37% entre os dias 17 e 21 daquele mês.

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,26%, queda de 0,5 pontos percentuais em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,50% de seu valor de face, queda de 0,29% na semana.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 209 pontos-base, alta de 18 pontos na variação semanal.

Confira a agenda do investidor para a terceira semana de janeiro

Dentro da agenda para a penúltima semana de janeiro, as atenções se voltam à divulgação de importantes indicadores do setor imobiliário e de inflação nos Estados Unidos.

No front doméstico, os investidores estarão atentos ao IPCA-15 de janeiro, além de outros indicadores de inflação.

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