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18/01/2010 - 17h13

Depois de 2009 positivo, fundos de commodities registram captação negativa

SÃO PAULO – De acordo com a EPFR Global, que monitora a indústria mundial de fundos, as principais tendências de 2009 – fundos de ações norte-americanos registrando fortes saídas de capital, e os fundos de mercados emergentes com fluxos bastante positivos – continuaram ditando os rumos do mercado global de fundos nas duas primeiras semanas do ano.

Entretanto, a consultoria percebeu duas novas tendências no início de 2010: os fundos de ações japoneses encerraram a semana no campo positivo em termos de captação pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2007. Além disso, os fundos setoriais de commodities e fundos de ações globais registraram captação negativa, invertendo o seu padrão do ano anterior.

Emergentes

Os fundos de mercados emergentes captaram US$ 2,5 bilhões na última semana. Os fundos de mercados emergentes globais também deram continuidade ao bom momento do último ano – depois de captarem US$ 1,7 bilhão na primeira semana de 2010, absorveram mais US$ 1,54 bilhão.

De acordo com a EPFR, os fluxos de capital para os demais mercados emergentes continuaram sólidos, mas foram afetados pelos dados da economia chinesa, e possíveis sinais de um aperto monetário no país asiático.

Assim, os fundos asiáticos – exceto Japão – captaram US$ 481 milhões na segunda semana do ano, enquanto os fundos de ações da China tiveram saídas de capital pela terceira semana consecutiva pela primeira vez de fevereiro de 2009.

Na América Latina, a consultoria notou outra mudança: apesar de os fundos da região terem absorvido US$ 264 milhões na semana, os fundos de ações chilenos ultrapassaram os brasileiros em captação no período.

Desenvolvidos

Entre os mercados desenvolvidos, o destaque foram os fundos de ações japoneses, que absorveram US$ 577 milhões em meio a expectativas de um clima melhor para os países exportadores e sinais de que o Japão está se adaptando à força de sua moeda.

O fluxo também foi positivo para os fundos de ações europeus, que captaram US$ 190 milhões impulsionados por uma série de notícias positivas, como a escolha do Banco Central Europeu em manter a taxa básica de juro inalterada.

Os fundos de ações norte-americanos, por sua vez, tiveram modestas saídas de capital, com destaque para os fundos de large caps, que ofuscaram as aplicações em small caps. Os fundos de ações globais, que investem principalmente em mercados desenvolvidos, viram um rali de 24 semanas de captação positiva chegar ao fim, com saídas de capital de US$ 72 milhões.

Setores

Repetindo o resultado da semana anterior, os fundos setoriais de commodities registraram novas saídas de capital – mostrando uma inversão do cenário de 2009, quando lideraram as captações dos fundos setoriais em grande parte do ano. Os fundos de energia também tiveram captação negativa no período, apesar do frio no hemisfério norte.

Os fundos de saúde e biotecnologia também tiveram resultado negativo em termos de captação, afetados pela regulamentação dos EUA para o setor, e preocupações de analistas sobre uma possível bolha de biotecnologia.

Segundo a EPFR, os únicos fundos setoriais a registrarem fluxo positivo de capital na semana foram os fundos de bens de consumo e tecnologia – que marcaram sua 15ª semana de fluxo positivo nas últimas 20 semanas, com mais de US$ 78 milhões de captação.

Renda fixa

Os fundos de bonds norte-americanos e globais mantiveram o bom desempenho de 2009 e captaram dinheiro pela 40ª semana consecutiva. Já os fundos de bonds de alto yield atingiram sua máxima em 22 semanas, se beneficiando da percepção de que uma economia global em recuperação e com baixas taxas de juro significa que o risco de default para esses débitos é menor do que o esperado.

Os fundos de bonds emergentes também tiveram uma semana sólida, de acordo com a consultoria, absorvendo US$ 480 milhões e marcando sua 10ª semana de captação positiva. No total, os fundos de bonds monitorados pela EPFR absorveram US$5,07 bilhões na segunda semana do ano.

ETFs

A EPFR também apontou um marco nos fundos de índices (ETFs) que monitora: os ativos sob gestão desses fundos ultrapassaram US$ 1 trilhão. “em 2009, os ETF tiveram fluxo de capital de US$ 92 bilhões, quase o mesmo do que os fundos ativos – apesar de esses terem o triplo de ativos sob gestão”, aponta a consultora.

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