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18/01/2010 - 14h16

Semana será de volatilidade, com carregada agenda econômica e corporativa

SÃO PAULO – Com agenda carregada no cenário doméstico e internacional, a palavra-chave para o mercado acionário nesta semana será “volatilidade”. Com isso, analistas recomendam estratégia e precaução nos investimentos nos próximos dias.

Além disso, o economista-chefe do banco Schahin, Silvio Campos Neto, destaca que a semana se inicia sem as operações em Nova York, cujos mercados permanecerão fechados nesta segunda-feira em virtude do feriado no país (Martin Luther King Jr. Day).

“Isto tende a reduzir a liquidez no dia de hoje, mas a semana certamente será bem movimentada diante de uma agenda carregada, tanto no exterior como no Brasil”, comenta Campos Neto.

O economista explica que, após os ajustes da última semana quando o Ibovespa recuou 1,83%, os próximos dias serão determinados predominantemente pelos indicadores, diante da falta de uma tendência clara neste momento.

“De toda maneira, não nos parece provável que se acentue o movimento negativo recente, dado que a perspectiva de bons números da China e o interesse ainda elevado nos ativos brasileiros são fatores capazes de sustentar os preços de tais ativos”, conclui o economista.

Indicadores

Segundo analistas da Gradual Investimentos, há “bons motivos para ficarmos comprados ou vendidos na bolsa”. A equipe destaca que esta semana tem um conjunto “poderoso” de informações econômicas que trará volatilidade aos mercados.

Entre os principais destaques da agenda está a inflação aqui no Brasil. “Esta será uma semana onde a inflação deve trazer más notícias aos investidores. O IPC-S, divulgado na manhã de hoje pela FGV, já tem uma prévia do que nos espera nos próximos dias”, comentam os analistas da Gradual.

Nesta segunda-feira (18), o índice semanal da Fundação Getúlio Vargas registrou alta de 0,78% na última medição, puxado pelo aumento da Tarifa de Ônibus Urbano (de 1,08% para 3,24%) e pelos gastos em Cursos Formais (de 0,62% para 2,14%).

“Estes aumentos serão capturados pelos próximos índices a serem divulgados, especialmente amanhã quando será a vez do IPC-Fipe e do IGP-M do 2° decêndio”, estimam.

A Gradual destaca ainda a possibilidade de influência do câmbio e das commodities nos indicadores inflacionários, em especial o açúcar, que já vem apresentando valorização.

“Precisamos, no entanto, ter um olhar atento especialmente com as commodities agrícolas e com o câmbio. Se o real perder força rápido demais teremos o repasse de altas para o consumidor brasileiro”, sublinham os analistas.

Porém, o time de research afirma que é cedo ainda para definir um rumo para a inflação em 2010, uma vez que janeiro é um mês tipicamente inflacionário. “Não seria prudente tomar este período como regra para o ano”, explica.

Além dos indicadores inflacionários, a agenda brasileira nesta semana também terá dados sobre crédito referentes a dezembro, contas externas e mercado de trabalho, com números do Caged, a serem divulgados pelo Ministério do Trabalho.

Cenário Internacional

Como apontam os analistas do Itaú, os mercados dividem a atenção em dois grandes movimentos no âmbito externo: por um lado, os balanços corporativos nos EUA e, por outro, indicadores econômicos.

Entre os balanços trimestrais agendados estão os das gigantes IBM, Google e GE (General Eletric), além dos bancos Citigroup, Wells Fargo, Bank of America, Morgan Stanley e Goldman Sachs.

No caso de indicadores, a diretora de câmbio da AGK Corretora de Câmbio, Miriam Tavares, comenta que “as agendas chinesa e norte-americana devem manter os mercados internacionais voláteis, com um leve viés positivo se intercalando a movimentos defensivos por parte dos investidores”, fala.

Isso se dá, segundo ela, porque os indicadores e resultados corporativos devem seguir mistos, assim como os dados chineses que devem mostrar fraca recuperação.

“Apesar de a notícia ser positiva para a economia mundial, deve deixar os mercados cautelosos sobre a possibilidade de um aperto mais expressivo da política monetária [chinesa] e retirada de estímulos fiscais”, preve.

A diretora também destaca que o déficit fiscal dos países ricos, da Grécia em particular, deve continuar sendo debatido e causando preocupações. O tema fará, inclusive, parte do encontro dos ministros de Finanças da União Europeia, em Bruxelas, nestas segunda-feira e terça-feira (19).

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