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22/01/2010 - 11h45

Novas apostas para preço do minério de ferro superam o topo de projeções anteriores

SÃO PAULO – Os eventos mais recentes alteraram a percepção sobre o mercado de minério de ferro, tornando conservador o topo das projeções anteriores de preço. Como indicavam as informações da semana passada, de fato o mercado presencia uma onda de revisões para cima nas perspectivas para o setor, o que passa a incluir as ações dos players mais relevantes de mineração.

No entanto, a impressão atual é de uma virada no jogo. Os papéis de mineradoras vêm sofrendo nas últimas sessões, graças ao impacto das prováveis medidas de restrição ao crédito na China sobre a cotação das commodities metálicas. Mas o relacionamento entre oferta e demanda continua inspirando apostas mais altas para o mercado de minério de ferro.

Falando de um segmento que movimenta cerca de US$ 160 bilhões por ano, José Carlos Martins, diretor de ferrosos da Vale, reconheceu na véspera que o momento é favorável para negociar preços com os chineses. Martins ainda mencionou que a empresa vendeu um recorde de 110 milhões de toneladas a clientes chineses nos nove primeiros meses do ano.

O otimismo parte do mercado spot. Como as conversas das mineradoras com as siderúrgicas chinesas acabaram sem consenso para os preços de longo prazo no ano passado, as usinas do gigante asiático se viram obrigadas a elevar o foco no mercado à vista. Como resposta, os preços spot cresceram vertiginosamente, chegando a um diferencial de 60% sobre os contratos de longo prazo.





Fonte: Brascan Research e Bloomberg
O novo argumento chinês

Para explicar o movimento spot, os chineses argumentam que as mineradoras viram a proximidade das negociações e limitaram a oferta ao mercado à vista, exatamente como forma de inflar seus preços. No entanto, a notícia que vem da China dá conta de que as siderúrgicas locais já estão repassando preços ao consumidor final do aço.

Enquanto isso, o novo argumento da ponta compradora aponta para o descobrimento de reservas do minério em 2009, principalmente no nordeste da China, com potencial estimado em 5 bilhões de toneladas. Ainda assim, há que se ponderar o fato das reservas serem apontadas pela imprensa chinesa como profundas e de elevado custo de exploração, tendo impacto muito limitado sobre o suprimento do país no médio prazo.

A ameaça

Mesmo entre argumentos favoráveis, as ações das mineradoras vêm de fortes correções nos últimos pregões, atreladas a indicações de que o governo chinês deve adotar medidas para conter excessos na concessão de crédito e evitar bolhas.

A Dahlman Rose, uma das instituições que elevaram projeções nos últimos dias, minimizou o impacto da questão. “Em nossa visão, esta transição deve criar volatilidade nos mercados em 2010, (...), mas acreditamos que as bases da tendência altista dos metais básicos permanece, e acreditamos que os investidores que conseguirem resistir à volatilidade serão recompensados no longo prazo”.

Consenso aparente



*Reajuste de preços do Minério de Ferro
Instituição  Anterior Revisada 
BofA Merrill Lynch       

15% 50%       

Barclays 20%          

40%
Itaú     -      

40%
Brascan 10%          

25%
Nomura   

-

50%
Dahlman Rose                

15% 35%
Macquire 30% -
JP Morgan 20%  -
Société Générale 20% -
Morgan Stanley 15% -

Citigroup 15% -
Credit Suisse 15% -
Vale ressaltar que a Dahlman Rose não foi a única a revelar perspectivas mais otimistas na quinta-feira (21). Enquanto as instituições atualizam seus modelos para captar os últimos desdobramentos para a negociação de preços do minério, as apostas para as ações do setor caminham junto.

A corretora brasileira Brascan também indicou postura mais otimista com o setor frente às suas estimativas anteriores. Ainda assim, das elevações de projeção mais recentes para o preço do minério de ferro em 2010, a instituição trouxe o número mais conservador. E reconhece:

“apesar do cenário atual no mercado de minério de ferro indicar uma alta superior aos 25% que estamos incorporando em nosso modelo, optamos por manter uma premissa mais conservadora, devido à incerteza quanto à recuperação das economias globais em 2010 e à sustentabilidade da alta recente dos preços do aço..." 

Vale na esteira

Diante dos últimos eventos, a mudança no patamar das projeções é evidente. Antes predominando entre aumento de 15% a 20%, a tabela revisada de apostas para o preço do minério de ferro em 2010 joga o intervalo das estimativas para alta entre 35% e 50% nos preços. Inevitavelmente, os preços-alvo para a ação da Vale vão caminhando junto.

*Campo "Projeções Revisadas" considera atualizações realizadas após o início de 2010

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