UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

27/01/2010 - 14h33

Problema fiscal na Grécia pode afetar América Latina, diz Citi

SÃO PAULO – A recente desvalorização vista na última semana no mercado acionário brasileiro levanta dúvidas quanto ao seu teor: temporário ou definitivo? Entre dúvidas, um dos únicos consensos no mercado é de que alguns ativos estão sobrevalorizados.

Como um prólogo do que está por vir, os analistas do Citigroup acreditam que tal baixa é uma prévia do que poderá ocorrer no decorrer de 2010, quando o Federal Reserve iniciar seu ciclo de aperto monetário.

Em relatório de estratégia para a renda variável latino-americana, o banco reflete sobre a última semana, desenha o horizonte da região e mostra como possíveis ventos negativos da Grécia podem atravessar o Atlântico.

Alguns culpados

Inicialmente, à procura de possíveis "drivers" negativos responsáveis pelo recuo da última semana, os analistas apontam a seguinte tríade: movimentos de restrição no crédito da China; reforma do sistema bancário por Washington; e declínio das operações de carry trade, o que sugere aversão ao risco.

“Ainda há outro elemento neste ambiente de incertezas – a crise fiscal e de dívidas da Grécia”, discorrem os analistas, ao citarem a tentativa do governo grego de reduzir o deficit fiscal do país, que atingiu patamar próximo a 12,7% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2009.

Explorando mais a fundo o último ponto, o Citi mostra que receios quanto a dívidas e deficits podem ocorrer em outras partes da zona do Euro e nos países emergentes do Velho Continente, o que deverá elevar ainda mais o pessimismo e a aversão ao risco do mercado.

Efeitos indiretos...

Na América Latina, quais serão os efeitos da tragédia fiscal na Grécia? “Enquanto links diretos são pequenos, dados que os títulos regionais e os spreads dos CDSs (Credit Default Swaps) – até agora – não foram afetados, o risco de contágio, especialmente via um dólar mais forte e divisas regionais mais fracas, permanece”, discorre o banco norte-americano, listando efeitos indiretos.

Nesse sentido, os analistas veem um maior custo de capital, em decorrência dos apertos monetários a vir em todo o mundo e da situação fiscal na Grécia, como possíveis ventos negativos a soprar na renda variável latino-americana. “Qualquer pressão dos eventos da Grécia na América Latina será sentida através da reação do mercado”, completa o Citi.

...porém relevantes

Com a deterioração no âmbito fiscal grego, o banco enxerga uma provável valorização do dólar frente ao euro, o que poderá se estender às divisas na América Latina. Para os analistas, “um dólar mais forte se mostrou como um fator negativo para as ações latino-americanas no decorrer dos últimos dois anos”.

Outro ponto a se atentar é a correlação positiva entre os rendimentos dos títulos gregos e a divisa brasileira, a qual se mostra relevante pelo caminho indireto entre Atenas e Brasília, que passa por aversão ao risco e dólar mais forte. “O Brasil e a Colômbia são os países que provavelmente serão mais afetados na América Latina por qualquer intensificação na crise fiscal grega”, avaliam os analistas, citando o alto beta do mercado acionário do País como justificativa ao receio.

Indigestão deve acabar no curto prazo, mas azia é esperada

A despeito dos possíveis cenários desfavoráveis, o Citi acredita que a desvalorização recente nos mercados é excessiva. Dado o exagero, o banco avalia que provavelmente não haverá uma maior correção na América Latina, baseado no seguinte tripé: inércia do crescimento nas economias da região, sobrevalorização do dólar no curto prazo e fluxos fortes de capital.

Em contrapartida, as últimas baixas podem ser digeridas como um aperitivo do que está por vir, tendo em vista o esperado aperto monetário pelo Fed e a possibilidade do default na Grécia (pequena, mas existente). Quando o prato principal chegar, “será um tempo para adotar postura defensiva e até uma estratégia de venda”, sugere o banco.

Compre e venda no próximo rali “decente”

Por crerem em uma recuperação no curto prazo, os analistas listam recomendação overweight (alocação acima da média do portfólio) para o Brasil. Contudo, “estamos mais inclinados do que antes a tomar lucros no próximo rali decente”, concluem os analistas.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host