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29/01/2010 - 18h35

Fundos de ações da América Latina têm maior fluxo negativo em 7 meses

SÃO PAULO – Resultados corporativos divergentes, notícias de um aperto monetário na China e condições financeiras em deterioração de países como Grécia marcaram a última semana. A indústria global de fundos sentiu essas referências negativas dos mercados, e viu a incerteza dos investidores refletida nos fluxos de capital, de acordo com dados da EPFR Global, que acompanha o mercado de fundos.

Com isso, na semana terminada em 27 de janeiro, os fundos de ações norte-americanos tiveram a maior saída de capital desde o segundo trimestre de 2007, enquanto os fundos de ações de mercados emergentes registraram a primeira semana de fluxo negativo em 12 semanas.

Entre os emergentes, os fundos de ações dos GEM (Global Emerging Markets) tiveram a maior saída de capital em 23 semanas. Já os fundos de ações da América Latina registraram o maior fluxo negativo em 29 semanas, com US$ 222 milhões.

Da mesma forma, os fundos de ações dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) fecharam a semana com fluxo negativo pela primeira vez desde setembro. Apesar das referências negativas emitidas ao mercado, os fundos de ações chineses tiveram a primeira semana de fluxo positivo desde dezembro. De acordo com a EPFR, o motivo é que as autoridades chinesas mostraram estar agindo para prevenir o aparecimento de bolhas e supercapacidade do país.

Os vencedores da semana

O cenário foi diferente nos fundos de título de dívida. Os fundos de títulos de dívida em moeda local de mercados emergentes, por exemplo, registraram entradas recordes de capital na semana, captando US$ 515 milhões. Já os fundos de bonds de mercados emergentes absorveram US$ 572 milhões no período.

Três dos quarto grupos de fundos de bonds acompanhados pela EPFR atraíram fluxo significativo de capital na semana terminada em 27 de janeiro. Os fundos de bonds norte-americanos, por exemplo, marcaram sua 56ª semana de captação positiva, com US$ 2,4 bilhões. Os fundos de bonds globais, por sua vez, absorveram US$ 1,8 bilhão no período.

Fundos de ações

As saídas de capital dos fundos de ações de mercados emergentes não foram sinônimo de resultados positivos para os fundos de mercados desenvolvidos. Os fundos de ações norte-americanos registraram sua maior saída de capital semanal desde junho de 2008, em meio a referências divergentes da economia, propostas de reforma do sistema financeiro e a temporada de resultados.

Já os fundos de ações europeus tiveram fluxo negativo pela terceira vez em cinco semanas, pressionados pelos resultados corporativos. Apesar da situação financeira do Japão ser uma fonte de preocupação, os fundos de ações japoneses registraram sua 5ª semana consecutiva de fluxo positivo – o maior rali desde o terceiro trimestre de 2008.

Setores

Apesar de a temporada de resultados ter mostrado números positivos do último trimestre de 2009, as expectativas para 2010 não foram recebidas com otimismo – em especial nos setores financeiro e de tecnologia. Com isso, os fundos de tecnologia tiveram o maior fluxo negativo em um ano e meio, enquanto os fundos do setor financeiro registraram a maior saída semanal de capital desde o início do quarto trimestre de 2008.

Dando continuidade ao resultado negativo das últimas semanas, os fundos de commodities voltaram a registrar déficit de captação – o maior rali no campo negativo desde outubro de 2008. Os fundos investindo em commodities físicas, contudo, não seguiram a tendência e registraram fluxo positivo na semana. Entre os grupos setoriais, o único a registrar fluxo positivo foi o setor de energia, que captou US$ 197 milhões na semana.

No ano, os fundos de petróleo e gás registram o melhor resultado em termos de captação, com US$ 366 milhões, enquanto os fundos do setor financeiro acumulam o maior fluxo negativo.

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