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29/01/2010 - 20h10

Próximos pregões pedem cautela e foco em eventos do noticiário externo

SÃO PAULO – "A próxima semana sugere muita cautela dos investidores". Foi esta a resposta dada tanto por Gilberto Coelho, analista técnico da XP Investimentos, quanto por Clodoir Vieira, economista da Souza Barros, quando perguntados sobre o que esperar do Ibovespa nestes próximos dias.

O índice terminou a sexta-feira (29) abaixo dos 66 mil pontos, considerado um suporte importante pelos analistas gráficos. Para Gilberto Coelho, o Ibovespa agora deve testar uma linha um pouco mais fraca, dos 64.200 pontos - que o índice vem respeitando nas últimas sessões.

No entanto, se a pontuação for abaixo deste nível, Coelho acredita que é interessante fazer opções de hedge, mas descarta saída do mercado. Vieira aponta que, por enquanto, ainda não se viu movimento de reversão da tendência de queda, e por isso a cautela é necessária.

Migração

Entre os motivos para o mau humor dos mercados, Coelho cita a retirada de dinheiro estrangeiro, o ano eleitoral, além de certo embolso de lucros, já que as principais bolsas tiveram altas expressivas no último ano.

Com este cenário, o CDI registrou leve alta. “Já é possível observar um pequeno movimento de mudança do capital da renda variável para a renda fixa”, aponta. E aí salienta que a migração é pequena e não sugere nada grave. “É normal, é uma defesa do investidor e do próprio capital”, diz.

Expectativas lá fora

Para Clodoir Vieira, o que preocupa mesmo são notícias do cenário internacional. No caso da China, por exemplo, o excesso de crescimento gera expectativa de redução no investimento, o que impacta grande parte das economias mundiais, dado o tamanho do país asiático.

Nos EUA, mesmo com o PIB (Produto Interno Bruto) para o quarto trimestre de 2009 um pouco acima do esperado, a situação do emprego não mostrou avanços. Apesar da expansão da economia, Vieira aponta que ainda não houve contingente significativo de contratações nos Estados Unidos. “E isso gera preocupação”, aponta.

“Por isso, o Employment Report será muito importante na próxima semana”, acrescenta. O relatório, que traz, entre outros dados, a taxa de desemprego e o número de vagas criadas, poderá mostrar se o crescimento está tendo reflexo positivo no mercado de trabalho nos EUA, “coisa que ainda não aconteceu”, comenta o economista da XP Investimentos.

Mercado interno

No longo prazo, no entanto, Clodoir Vieira ainda trabalha com hipótese de crescimento de cerca de 20% para o Ibovespa. Uma das recomendações é ficar mais exposto a empresas que trabalhem voltadas para o mercado interno, além dos bancos, que também podem ser boa opção, indica. Já as exportadoras, que dependem do humor da economia internacional, ainda têm previsão de expansão mais lenta.

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