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01/02/2010 - 13h57

Brasil precisa de IPI reduzido permanentemente, afirma economista da ACSP

SÃO PAULO - Após manter o IPI reduzido por vários meses, o governo decidiu não prorrogar o benefício para produtos da linha branca e anunciou também que não irá manter as alíquotas reduzidas para os veículos - carros flex estão com IPI menor até o mês de março.

Para o economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcelo Solimeo, a decisão não surpreende. "O objetivo do governo com essas medidas foi incentivar o consumo. Como o consumo já está se recuperando, deixa de existir a razão pela qual ele deu o incentivo, então, já era de se esperar que a redução fosse suspensa".

Carga tributária

Embora já esperasse o fim da redução, Solimeo discorda da decisão e diz que incentivo fiscal deveria ser mantido e ampliado. "Essas medidas casuísticas sempre trazem problemas, porque você beneficia um setor e, quando vence o prazo, começam as pressões para a prorrogação. O que estamos precisando na verdade é do IPI reduzido em diversos setores e e de forma permanente. Ou seja, precisamos de uma redução na carga tributária".

Ainda de acordo com o economista, o governo tem total condições de fazer isso. "Mantendo o IPI reduzido em alguns setores durante tanto tempo, o governo provou que tem espaço para reduzir a carga tributária. Nada mais justo, as alíquotas cobradas atualmente são escadalosamente altas", afirma.

E completa: "além do mais, não podemos esquecer que o governo, com suas medidas anticrise, beneficiou apenas alguns poucos setores, o que é bastante injusto. Todos os setores da economia deveriam poder contar com carga tributária menor para se manterem mais aquecidos".

Queda do consumo

Ainda sobre os efeitos do fim do IPI reduzido, Solimeo diz não acreditar que haverá forte queda do consumo. "Acredito que num primeiro momento o comércio vai vender menos. O imposto reduzido tem um forte apelo psicológico, então, as pessoas adiantam o consumo e é normal que, por um tempo, deixem de comprar. Porém, eu acredito que, a menos que os juros subam, os consumidores vão perceber que o IPI reduzido não tem grande impacto no valor da parcela e, à medida que vão precisando, vão comprar".

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