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09/02/2010 - 17h57

Mesmo depois da crise, brasileiro continuará não poupando, diz economista

SÃO PAULO - Embora seja consenso de que a crise no Brasil foi relativamente fraca, principalmente na comparação com os impactos causados em outros países, muitos brasileiros foram surpreendidos por ela e sofreram consequências: perderam seus empregos, não conseguiram honrar suas dívidas e tiveram de reduzir o consumo. Passado esse pior momento, será que os brasileiros vão aproveitar este ano de recuperação para poupar e evitar novas supresas negativas?

Na opinião do economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Ulisses Ruiz de Gamboa, a resposta é não. "Ainda é muito complicado falar de poupança no Brasil. Alguns até poupam, mas é dificil sobrar dinheiro para que a classe média, por exemplo, consiga poupar regularmente", afirma.

Carga tributária

Segundo Gamboa, há alguns motivos que fazem com que o brasileiro não poupe com regularidade. O principal deles é a alta carga tributária do País. "Tem um estudo do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) que mostra que 40% do salário do brasileiro é gasto com imposto. Tirando o total que ele tem comprometido com dívidas, os gastos mensais fixos e o gasto que tem com serviços que o governo não provê adequadamente, como educação, saúde e segurança, não sobra nada para ele guardar".

Além disso, o economista cita a história recente do País como outro fator que dificulta a poupança. "O brasileiro é traumatizado com o confisco da poupança realizado pelo governo Collor. Recentemente, quando o atual governo anunciou que pretendia alterar a taxação da poupança, muita gente ficou com medo que houvesse um novo confisco, mesmo com o ministro Guido Mantega afirmando que isso não aconteceria. Não adianta, o povo ficou mesmo traumatizado".

Gamboa cita também a inflação, que em um passado não tão distante, "corroia a poupança". "A inflação controlada é um fenômeno recente da economia nacional. Infelizmente, demora um tempo para que as pessoas confiem que a situação não sairá do controle".

Gastos do governo

O executivo explica que a alta carga tributária - considerada o maior impecilho para a poupança do brasileiros - está longe de chegar ao fim. "A carga tributária no Brasil é muito alta. Há países com carga tributária igual, mas são países com econômia mais desenvolvida. Fato é que o governo brasileiro gasta muito, e essa carga é o resultado disso. E não estoiu falando que é o governo Lula que gasta demais, não. São todos os governos brasileiros. E, enquanto não houver uma mudança no crescimento do gasto público, não haverá mudança no crescimento da carga tributária", conta.

Porém, ele afirma que o governo acabou de provar que tem condições de reduzir esta carga, mesmo que não a diminua tanto quanto deveria. "As desonerações de IPI que o governo fez para os automóveis, produtos da chamada linha branca e outras mercadorias por mais de um ano provam que, ao menos um pouco, há condições da carga tributária ser diminuída. Porém, eu não acredito que isso vá acontecer no curto prazo", finaliza.

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