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10/02/2010 - 12h46

Possível aumento da Selic vai demorar para chegar ao consumidor, diz Provar

SÃO PAULO - O provável aumento da taxa básica de juro nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária), já previsto por analistas de mercado, deve demorar para chegar ao consumidor. A afirmação é do presidente do Provar (Programa de Administração de Varejo), da FIA (Fundação Instituto de Administração), Claudio Felisoni.

"Vivemos um momento de muita competição entre os varejistas. Eles sabem que vende quem tem o menor preço. O consumidor é esperto e pesquisa muito antes de decidir pela compra. Por isso, eles vão tentar segurar o repasse do aumento da taxa Selic o máximo que puderem. Isso já aconteceu antes. Já houve momentos em que o governo aumentou a taxa e a elevação demorou meses para chegar aos juros para o consumidor".

Felisoni completa dizendo que, se houver impacto do provável aumento da Selic nas vendas, isso acontecerá apenas no terceiro trimestre de 2010. "Por enquanto, ainda temos produtos com IPI reduzido, estoques cheios e ainda vemos promoções que estão sendo estendidas desde o final de 2009. Se os juros aumentarem, será lá para o terceiro trimestre", garante.

Impacto nas vendas

Ainda de acordo com o presidente, mesmo que esse repasse chegue ao consumidor, não deverá ter muito impacto no total de vendas do ano. "Acredito que esses 12 meses serão muito bons para o comércio varejista brasileiro. Mesmo com um possível aumento nos juros, não teremos um impacto muito forte", afirma.

Felisoni explica que o impacto não será grande porque o brasileiro ainda olha mais para o valor da prestação do que para o valor que o produto custará ao final do financiamento. "No Brasil, o que importa é a parcela caber no bolso. O consumidor daqui olha pouco para quanto vai pagar de juros. Se a parcela ficar um pouquinho mais cara, para ele, não faz diferença".

Por fim, o executivo explicou ainda que o brasileiro opta por comprar financiado, mesmo que for para pagar juros, porque deseja desfrutar do produto que deseja comprar imediatamente. "O pensamento do consumidor brasileiro funciona assim: ou eu junto esse valor e demoro mais para poder assistir à novela naquela televisão legal ou divido em algumas vezes, com parcelas que cabem no meu bolso e posso assistir a TV nova a partir de hoje. Lógico que a maioria escolhe essa segunda opção", finaliza.

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