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11/02/2010 - 09h41

Estudo do IRRC revela que nem sempre gestores de fundos cumprem o que falam

SÃO PAULO - Dentre das principais opções para os investidores que não têm tempo para acompanhar de perto o mercado ou mesmo possuem pouco conhecimento sobre produtos financeiros, os fundos são uma das formas mais populares de aplicação financeira, e funcionam como uma espécie de condomínio de recursos individuais de pessoas físicas ou jurídicas. Sem garantias de retorno, os investidores contam com a sabedoria dos gestores, responsáveis por fazer boas aplicações com o patrimônio do fundo.

No ato do investimento, o cotista tem acesso ao prospecto do fundo escolhido, no qual constam diversas informações referentes à política de investimentos, gestão de risco, perfil das ativos que compõem o patrimônio, giro da carteira, entre outras tantas informações de fundamental relevância. É nestas páginas que o investidor saberá todas as informações sobre a política de gestão do seu dinheiro. 

Mas será que os gestores cumprem o que dizem quando vendem o fundo? Um estudo da Mercer para o IRRC Institute divulgado nesta semana revelou que a maioria não. O instituto procurou por respostas a perguntas que muitas vezes sondam a mente dos investidores mas dificilmente são encontradas respostas adequadas a elas, tais como: os gestores operam com um horizonte de investimento no curto ou no longo prazo? Eles pensam que o investimento de curto prazo geram consequências negativas à maneira como as companhias se comportam ou às funções dos mercados?

"Para examinar estas questões, nós utilizamos dois approaches: análise quantitativa do giro da carteira no portfólio de 900 estratégias, (...) assim como uma análise qualitativa através da análise de 8 cases de gestores ativos de fundos de ações", explicou a instituição. O resultado apontou que alguns dos gestores consultados tiveram maiores taxas de giro do que eles dizem. Cerca de dois terços dos investidores de fundos excederam suas expectativas de turnovers entre junho de 2006 e junho de 2009. "Dessas estratégias, o turnover foi em média 26% maior que o antecipado, com alguns reportando turnover (giro) entre 150% e 200% acima do esperado", revelou o IRRC.

Resultados surpreendem

"Em geral, nossos resultados demonstram que existe uma forte tendência para gestores que investem em ações pensando no longo prazo de terem um turnover maior em seus portfólios do que eles acreditam. Isto produz alguns desafios para os investidores, uma vez que um turnover maior que o previsto pode trazer consequências adversas, a mais óbvia são os elevados custos dos negócios", avaliou o IRRC. 

Na análise quantitativa, o estudo revelou que de 822 estratégias, 550 excederam o nível de turnover projetado no período em questão. Na conta das 991 estratégias de investimento pesquisadas, a média anual de turnover foi de 72%, sendo que 20% delas obteve mais que 100% de giro da carteira de ativos no período.

Entre outras descobertas do estudo quantitativo, "gestores com estratégia value tendem a ter menores turnovers em relação aos outros tipos de estilos". Além disso, portfólios que contam com large caps também demonstraram menores turnovers do que os aplicados em small caps.

Análise qualitativa

Entre os principais pontos descobertos pela análise qualitativa estão as causas do investimento em curto prazo. Segundo o IRRC, as causas das aplicações por no máximo 12 meses incluem mercados voláteis e condições macroeconômicas desafiadoras. "Gestores reconhecem que o natural potencial destrutivo do investimento em curto prazo mesmo quando desejado foi inevitável. Os gestores indicaram que o investimento em curto prazo potencialmente coloca pressão nas companhias, aumentando a valatilidade do mercado e demonstrando uma falta de disciplina dos gestores no processo de investimento, além de criar uma discordância de interesses entre os gestores e seus clientes", avaliou o IRRC.

O Instituto revelou que talvez a principal contribuição deste estudo é a maior perspectiva que ele traz, uma vez que mostrou que a combinação das funções das culturas de incentivo, melhor entendimento do perfil dos clientes, relacionamentos mais duradouros dos gestores com os clientes e medidas reguladoras devem se interligar para um investimento em um fundo de longo prazo. 

"Para finalizar, enquanto ficou claro que existe um papel para cada tipo de estratégia de investimento, também parece ser verdade que muitas estratégias estão excedendo seus turnovers esperados e, em alguns casos, por uma margem considerável. Sem dúvida isso foi exacerbado pela crise de crédito, mas o estudo dos cases mostrou que alguns gestores que excederam seus turnovers não veem isso como um problema a ser explicado ou compreendido", concluiu.  

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