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11/02/2010 - 09h11

Inadimplência do consumidor deve subir no próximo semestre, diz Serasa

SÃO PAULO – De acordo com o Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência, divulgado nesta quinta-feira (11), o nível de inadimplência dos consumidores nos próximos meses deve registrar desaceleração, mas já a partir do segundo semestre a situação deve mudar. Por outro lado, o índice de inadimplência das empresas no próximo semestre continua em tendência de queda.

De acordo com o estudo, em dezembro, a perspectiva de inadimplência do consumidor para o período apresentou aumento de 0,6%, a quarta alta seguida, com o índice chegando a 99,6.

De acordo com os analistas da Serasa, apesar de registrar aumentos consecutivos na perspectiva de inadimplência, as variações registradas nos últimos meses vêm sendo cada vez menores. Para se ter uma ideia, em novembro, o aumento era de 0,8%, maior que o registrado no último mês de 2009 (0,6%).

Os analistas acreditam que o resultado indica que o ciclo de endividamento do consumidor, embora ainda alto, está em queda, e que ainda deverá se prolongar nos próximos meses. Porém, para a entidade, até o final do primeiro semestre deste ano, essa tendência deve se reverter.

Reversão

Os técnicos da Serasa constatam que a queda da inadimplência do consumidor deve parar já no início do próximo semestre porque deve ocorrer um aumento do endividamento, que é maior que o aumento do poder de compra. Esse cenário já havia sido verificado no segundo semestre do ano passado.

Além disso, os analistas também enxergam um esgotamento dos efeitos do nível de emprego sobre a inadimplência, que deve contribuir para que haja uma interrupção da trajetória de queda da inadimplência.

Outro fator que deve influenciar na reversão do cenário atual é o aumento dos custos dos financiamentos em várias modalidades de crédito para as pessoas físicas.

Os técnicos da instituição ressaltam, porém, que o fato de o indicador estar abaixo de 100 sinaliza que a estabilização do endividamento deverá alcançar um patamar de normalidade. Isso significa que, para 2010, mesmo que ocorra aumento da inadimplência, ela não prejudicará a expansão do crédito. 

Empresas

No caso das empresas, o indicador de perspectiva de inadimplência para os próximos seis meses, apurado em dezembro, caiu 3,9%. Esta foi a sétima queda consecutiva do índice, que ficou em 106,3. 

Para a Serasa, as sucessivas quedas mostram que a inadimplência das pessoas jurídicas, após um ano difícil para se obter crédito e efetuar comercializações externas, continuará em declínio neste semestre. 

O reequilíbrio do fluxo de caixa das empresas, a retomada da economia, os incentivos fiscais, a atuação dos bancos oficiais, a retomada das emissões de ações no mercado acionário e das captações do exterior são os principais motivos para o declínio das taxas de inadimplência.

Os analistas ressaltam que os recentes fatos ocorridos no cenário internacional, sobre a sustentabilidade fiscal de alguns países da Zona do Euro, podem prejudicar a tendência de queda do endividamento das empresas. No entanto, os técnicos da Serasa avaliam que tais riscos têm poucas chances de serem concretos.

Eles avaliam ainda que nem um eventual ciclo de aperto monetário poderá prejudicar as quedas registradas nos últimos meses, pois tais ajustes teriam apenas o objetivo de conter a inflação, sem interromper o crescimento doméstico.

Sobre a pesquisa

Os indicadores Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência das Empresas e dos Consumidores avalia, em um horizonte de seis meses, em que fase do ciclo estarão várias variáveis econômicas, como concessões reais de crédito, inadimplência, crise e recuperação.

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