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11/02/2010 - 11h00

Nem mesmo uma pressão de curtíssimo prazo: balanço da Vale não afeta aposta à ação

SÃO PAULO – É consenso que o balanço operacional da Vale decepcionou. De modo geral, os números esperados pelos analistas (tirando resultado financeiro) para geração de caixa e custos, principalmente, pareciam superestimar o que foi de fato o quarto trimestre da mineradora. Também era consenso entre os analistas que as ações da Vale iriam sofrer especialmente nesta quinta-feira (11). Acabaram não sofrendo.

Isto porque o cenário para os papéis da mineradora parece ignorar os resultados do último trimestre do ano passado. Na realidade, são outros fatores que pesam mais para o rumo das ações no momento. O principal deles é a expectativa para o reajuste de preços do minério. Há também a projeção de mercado apertado daqui para frente. E para ambos, sobra otimismo.

A principal preocupação deixada pelos números do quarto trimestre do ano passado – que diz respeito a custos operacionais e capacidade de gerar caixa – também não parece compor o cenário dos maiores riscos para a empresa. Neste quesito, o alerta dos analistas é para possíveis mudanças de marco regulatório.

Operacional

Estas considerações ajudam a entender a relativa indiferença das ações diante da pressão de curtíssimo prazo exercida pela divulgação desfavorável. Mesmo no operacional, as perspectivas são favoráveis à empresa.

Os números ruins da estrutura de custos, por exemplo, podem esconder a “reativação de algumas unidades, recontratação de pessoal e compra de produtos, principalmente níquel, cuja produção no Canadá está sofrendo problemas por conta da greve na Vale Inco.”, conforme ressalta a Link Investimentos – que credita a queda na margem Ebitda (relação percentual entre a geração operacional de caixa e a receita líquida) a estes fatores.

Preços ainda não precificados

Outro driver importante para a recuperação das margens é o iminente aumento de preços do minério de ferro, principalmente para os clientes chineses (responsáveis por 37,6% das receitas da Vale no período – em dados USGaap).

“Acreditamos que as ações não estão precificando a forte perspectiva para os preços do minério de ferro. Assumindo um aumento de 15%, os papéis ordinários (VALE3) devem estar negociando a uma relação de 7,5 vezes de EV/Ebitda (valor de mercado da empresa sobre a geração de caixa projetada para 2011) em 2011, em linha com o histórico de múltiplos das mineradoras globais. Nós acreditamos em um aumento de 50% [nos preços do minério] em 2010 e de mais 5% em 2011”, defende a equipe do Bank of America Merrill Lynch.

Outra a citar os múltiplos é a Itaú Corretora, que mantém visão otimista da ação com base no “valuation atrativo para 2011”, projetado em uma relação EV/Ebitda inferior a 6 vezes para o próximo ano. Com base nas projeções da própria corretora para 2010, a ação negocia a 6,9 vezes EV/Ebitda.

Para frente

Apesar de considerarem inevitável uma reação negativa dos papéis no curtíssimo prazo, os analistas permaneceram com o viés otimista à mineradora em um horizonte mais dilatado. A observação mais conservadora pareceu do research do BB Investimentos, que reduziu seus targets para as ações após o resultado (VALE5 de R$ 51,10 para R$ 49,60 e VALE3 de R$ 58,80 para R$ 58,10).

Ainda assim, o BB afirmou que “apesar da diminuição, permanecemos confiantes na melhora continuada do desempenho para os próximos trimestres, mantendo a indicação de compra para os papéis”. Apesar do desempenho desfavorável no ano passado, as apostas para a ação da Vale seguem olhando para o futuro, aparentemente promissor.

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