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12/02/2010 - 20h02

Com semana mais curta, Ibovespa depende de cena externa para seguir em alta

SÃO PAULO - A próxima semana terá só dois dias e meio de pregão (por causa do feriado de Carnaval) no Brasil. Ainda assim, não há sossego à vista para o investidor. André Mello, analista sênior da TOV Corretora, aposta em melhora para o índice, baseado em eventos do cenário externo, mas faz uma ressalva: é difícil fazer previsões para uma semana atípica, mais curta.

Raffi Dokuzian, superintendente de renda variável do Banif, concorda e diz acreditar que a semana deve continuar a trazer altas para o Ibovespa, mas a perspectiva depende muito de notícias do front externo, em especial da Europa.

"Esses gargalos muito fortes que o mercado atravessou, principalmente com os problemas da Europa, devem se dissipar, já que vemos a Europa bastante sensibilizada de que é preciso ajudar os países que estão momentaneamente com dificuldades", afirmou. 

Assim, a minuta da reunião do Bank of England ganha um destaque a mais na agenda dessa semana, pois é a Europa falando, avalia Dokuzian. E completa o raciocínio: ainda que a Inglaterra não faça parte da Zona do Euro, os olhos do mundo inteiro estão especialmente voltados para os dados do Velho Continente.

FOMC

André Mello destaca o peso da ata do FOMC (Federal Open Market Comittee) para as negociações da próxima semana. Mello acredita que o recado deve trazer indícios de que a autoridade monetária manterá os juros básicos próximos a zero, mas poderá tomar medidas para que não haja uma bolha por causa do excesso de liquidez.

China

Outro foco é a China, que vem adotando precauções para evitar o superaquecimento de sua economia. A mais recente foi o aumento no compulsório chinês, que trouxe certa instabilidade para o Ibovespa nesta sexta-feira (12).  Por outro lado, é um indicador de que o gigante asiático está com demanda acelerada por commodities, o que beneficia o mercado brasileiro, avalia André Mello. Raffi Dokuzian também miniminiza o impacto da decisão: "são medidas pontuais do governo para que a China tenha um crescimento mais moderado".

Trégua?

E com o peso crescente do noticiário internacional no rumo do Ibovespa, a trégua na temporada de divulgação de resultados não deve trazer muito alívio. "O fator mais importante é o mercado externo, e não os resultados daqui, que na minha opinião têm vindo muito bons", diz o superintendente da TOV. Mello segue a mesma linha de raciocínio e cita o exemplo do Vale (VALE5), que trouxe resultado ruim, e no entanto a receptividade foi boa.

"Isso porque o mercado está olhando o que pode vir a acontecer em relação a preços contratados, como a tentativa de mudar o cálculo para ajuste de preços, baseando-se mais no mercado spot, o que é bom para a empresa", conclui.

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