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17/02/2010 - 10h50

Apesar de targets reduzidos, ação da Vale está longe das apostas para o minério

SÃO PAULO – Apesar da reação positiva das ações da Vale no pregão seguinte à data da divulgação dos contestados resultados, a última sexta-feira trouxe uma série de revisões negativas nas projeções de preço para a ação da mineradora.

A atualização de modelos com os números bem piores que as expectativas - principalmente para estrutura de custos, vendas no segmento níquel e, consequentemente, geração operacional de caixa - penalizou as estimativas de preço-alvo para os papéis da mineradora.

Em resposta, os researchs de Barclays, Morgan Stanley e Dahlman Rose divulgaram targets revisados (para baixo). No entanto, todos permanecem com visão otimista dos papéis – recomendação de compra ou overweight (para aumentar exposição aos ativos).

Como destacado das avaliações retratadas na quinta-feira pós-resultado, é inegável que o operacional da mineradora desapontou, mas, ainda assim, existem drivers importantes para sustentar o potencial de valorização dos ativos. Ironicamente, as revisões para baixo no target das ações acompanham uma crescente melhora de percepção em relação à provável contribuição do reajuste de preços do minério de ferro.

Targets Revisados  - ADR
Instituição Preço-alvo anterior Preço-alvo atualizado
BB - (VALE5) R$ 51,10 R$ 49,60
Dahlman Rose US$ 40,00 US$ 35,00
Morgan Stanley                   - US$ 34,50
Barclays US$ 39,00 US$ 37,00
Ação distante das projeções

“Os preços das ações da Vale embutem um aumento de apenas 10% a 12% no preço do minério de ferro em 2010”, segundo o Barclays. A disparidade é grande na relação com as projeções mais recentes para o reajuste.

A teleconferência dos resultados chamou muita atenção pela perspectiva da empresa com esta questão. “A Vale mandou uma mensagem bem clara e deliberada na conference call: os contratos de longo prazo devem refletir completamente os preços spot no futuro”, enfatiza a equipe do Citigroup.

Para se ter uma ideia, os contratos benchmark teriam de subir entre 80% e 90% para chegar aos atuais US$ 130 por tonelada métrica de minério de ferro do mercado spot. “O tamanho da alta é agressivo para 2010, mas realista em 2 anos caso os preços spot se mantenham fortes como as expectativas”, completa o Citi.

Abençoada

Mais do que isso, a “clara mensagem” ainda ressalta a paridade dos discursos. Isto porque, em sua teleconferência, a BHP Billiton veio com retórica bem semelhante à da Vale quanto ao foco em seguir a referência do mercado spot.

Ou seja, mesmo entre revisões negativas de target, a impressão ainda é favorável aos ativos. Como concluiu o Citi: “acreditamos que a Vale é abençoada com os melhores ativos de mineração do mundo e o minério de ferro deve subir 50% ou mais nos próximos dois anos”.

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