UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

17/02/2010 - 17h34

Bob Doll prevê novas correções diante de incertezas macroeconômicas

SÃO PAULO - A forte correção experimentada pelos mercados ao longo das últimas semanas pode durar ainda mais tempo. A projeção, de Bob Doll, dá corpo ao relatório semanal da BlackRock, que se arrisca a dizer que a tendência de baixa para o curto prazo nos mercados pode estar apenas na metade. Contudo, o estrategista revela que a "parte mais aguda da correção já passou". 

Mesmo prevendo novas perdas às bolsas, o chairman da BlackRock mantém-se confiante em uma retomada. "Dados econômicos continuam a sugerir que a recuperação será sustentável", avaliou. Segundo ele, importantes indicadores dão pistas de uma melhora econômica, como as altas registradas nos níveis de confiança dos consumidores e das empresas. 

O executivo citou ainda o bom desempenho do Retail Sales na última semana. Segundo reportou o Departamento do Comércio dos Estados Unidos, o volume das vendas ao mercado varejista norte-americano subiu 0,5% durante o mês de janeiro. O indicador veio acima das expectativas dos analistas, que apontavam para uma alta de 0,3% no período.

Mercado de trabalho

Um dos pontos mais observados pelos analistas, o mercado de trabalho norte-americano foi um dos últimos segmentos da economia a dar sinais de melhora. Mesmo com a taxa de desemprego ainda elevada, os índices que marcam o número de horas trabalhadas no país têm mostrado incremento, o que, segundo Doll, "devem se traduzir em maiores ganhos".

Vale ressaltar que, também na última semana, o Initial Claims trouxe uma surpresa positiva ao mercado. O número de pedidos de auxílio-desemprego reportados nos EUA no período em questão ficou abaixo das expectativas do mercado, atingindo um total de 440 mil novas solicitações, enquanto as projeções giravam em torno de 465 mil. Além disso, o indicador ficou abaixo do número registrado na semana anterior, que foi revisado de 480 mil para 483 mil pedidos. 

Situação grega e inflação

Foco das atenções nos últimos dias, a atual situação econômica da Grécia denuncia que a economia global, apesar dos sinais de melhora, ainda permanece frágil. "Mesmo parecendo claro que a União Europeia dará suporte à Grécia e que é extremamente improvável que a economia grega não honre seus débitos, a situação reforça o fato de que pressões deflacionárias existem", disse Doll.

O estretegista destacou contudo que a inflação permanece controlada nos Estados Unidos. Entre os fatores apontados como âncoras no controle dos preços está o aumento na produtividade do país e as menores pressões nas receitas. Contudo, Doll revela que os elevados déficits da economia norte-americana são causa de preocupação. "Mas em nossa visão, não há razões para esperar que a inflação piore significativamente no próximo ano ou dois", argumentou.

Outro ponto positivo ressaltado pela BlackRock são os ganhos corporativos, que "continuam expressivos". Segundo Doll, cerca de 80% das companhias norte-americanas já divulgaram seus últimos resultados de 2009 e estamos caminhando para o final da temporada de balanços financeiros. Do total já conhecido, em torno de 70% apresentou números acima das projeções. 

Instabilidade no curto prazo

As incertezas que sondam a situação macroeconômica dos Estados Unidos e as influências externas parecem que serão as grandes vilãs dos mercados no curto prazo. Para o estrategista, as bolsas deverão ainda sofrer correções, embora menos intensas como as das últimas semanas.

"O lado negativo aos mercados inclui o fato de que houveram fortes valorizações desde o último ano, além de algumas pressões deflacionárias, como as que têm ocorrido na Europa recentemente. Por outro lado, o lado positivo inclui as menores taxas de juros, políticas fiscais e monetárias acomodativas, maiores ganhos das empresas e o começo de uma retomada ao setor industrial", concluiu.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host