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17/02/2010 - 18h11

Pesquisa de gestores do BofA Merrill Lynch revela forte aumento da aversão ao risco

SÃO PAULO – A aversão ao risco cresceu nas últimas semanas entre os gestores de fundos ao redor do mundo, que passaram a adotar estratégias mais defensivas de alocação de recursos. Esta foi a principal tendência apontada pelo BofA Merrill Lynch em sua pesquisa de gestores referente ao mês de fevereiro.

Divulgada na última terça-feira (16), a pesquisa revelou que 33% dos gestores consultados mantêm uma posição “overweight” (uma alocação acima da média) no mercado de ações, bem abaixo dos 52% registrados no mês anterior.

Paralelamente, a alavancagem mostrou-se bem menor e uma maior procura dos títulos de renda fixa foi constatada em comparação a janeiro. Gestores também vêm fugindo do mercado de commodities: segundo o BofA Merrill Lynch, apenas 10% deles sustentam posições “overweight” em tais ativos, contra uma fatia de 23% vista na pesquisa anterior.

Entre os que mantêm suas apostas nas bolsas, poucos são otimistas quanto a papéis de instituições financeiras. Segundo a pesquisa, 53% dos gestores estão “underweight” (alocação abaixo da média) no setor, a maior parcela vista desde março de 2009 e um drástico aumento frente aos 16% registrados em janeiro.

Europa no foco das tensões

Segundo Gary Baker, chefe de estratégia para ações europeias do BofA Merrill Lynch, o maior foco de tensão dos gestores está na situação fiscal de economias menores do continente, sobretudo as da Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda. De fato, a pesquisa revelou que a Europa é a região com o maior número de posições “underweight” no mundo.

A parcela de investidores que confiam em um crescimento econômico na Zona do Euro nos próximos doze meses caiu de 74% em janeiro para 51% em fevereiro, em um maior pessimismo que reflete também sobre as perspectivas de política monetária na região: 45% dos gestores não acreditam que o BCE (Banco Central Europeu) vá promover elevações nos juros em 2010, ao passo que, em janeiro, essa fatia foi de apenas 19%.

Quanto aos EUA, 42% dos entrevistados mostram-se céticos quanto a um aperto monetário pelo Federal Reserve antes de 2011, mais que os 27% constatados em janeiro. Por fim, pessimismo também quanto à economia chinesa: a fatia de gestores que apostam em um fortalecimento do país nos próximos doze meses caiu expressivamente de 51% em janeiro para 7%.

A pesquisa

Realizada mensalmente pelo BofA Merrill Lynch em parceria com a TNS, a pesquisa global entrevistou 200 gestores de fundos no mundo no período de 5 a 11 de fevereiro. Juntos, eles administram um total de US$ 502 bilhões em portfólios.

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