UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

18/02/2010 - 15h39

Ibovespa: maioria não vê reversão de tendência após quedas recentes do índice

SÃO PAULO - Em dezembro de 2009, grande parte dos analistas esperava que 2010 trouxesse a consolidação da recuperação da economia mundial, com pequenas realizações ao longo do caminho. A forte alta do Ibovespa no último ano, quando o índice avançou 82,66%, tinha perspectiva de manutenção ao longo deste ano, e as estimativas ficavam, em geral, entre 80 e 85 mil pontos para o final de 2010.

A primeira semana da janeiro não trouxe novidades, e os mercados continuaram em alta. Até que uma sequência de notícias do cenário externo trouxe forte instabilidade para as bolsas mundiais e levou o Ibovespa a recuar 4,65%, em grande parte pela crescente aversão ao risco, o que levou a venda maciça de posições no Brasil por estrangeiros. "E aí, não tem Cristo que aguente, não é?", pergunta Júlio Mora, da TOV Corretora.

Por isso, decidimos perguntar aos nossos usuários "Qual a probabilidade da queda da Bolsa em janeiro representar o início de uma tendência de baixa?". Em grande parte, os leitores do Portal InfoMoney descartam reversão da tendência de alta prevista para o longo prazo. Cerca de metade dos 4.020 usuários que responderam à questão veem 30% ou menos de chance de quedas para o Ibovespa ao longo do ano, e 17,16% dos entrevistados afirma que esta possibilidade é igual a 0%.

Apesar de menos de 30% acreditar que a instabilidade nos mercados tenha mais de 60% de chances de se prolongar e indicar tendência de baixa, 9,85% dos entrevistados indicaram que acreditam que isso acontecerá, ao responder 100% para a pergunta da nossa enquete.

Lista tríplice

Por isso, é melhor entender quais fatores prejudicaram o desempenho das bolsas mundialmente. Pedro Galdi, da SLW Corretora, em entrevista para a Infomoney TV, tem uma lista tríplice de motivos: o superaquecimento da economia chinesa e medidas adotadas pelo seu governo para diminuir a liquidez, como o aumento do compulsório para os bancos; possibilidade de maiores restrições à Wall Street por parte da administração norte-americana; e, por último, mas não menos importante, a crise fiscal por que passam países do continente europeu pertencentes à Zona do Euro, como Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha - os PIGS, na sigla em inglês.

Uma recuperação sem empregos?

Além disso, o mercado de trabalho norte-americano continua a emitir parcos sinais de vida. O Employment Report, que trouxe os dados de janeiro, mostrou que os EUA perderam 20 mil vagas de trabalho durante o primeiro mês deste ano. A expectativa era que o relatório trouxesse criação de 25 mil novas vagas. Dado esses fatores, parte dos economistas, alguns deles renomados, como Paul Krugman, anunciou que está será uma recuperação sem empregos - a jobless recovery.

Para a revista inglesa The Economist,quanto mais tempo levar para a criação de empregos voltar a crescer, mais incerta a recuperação econômica será.  Assim, mesmo com o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA apresentando aceleração de 5,7% no quarto trimestre, muitos acreditam que em grande parte o crescimento foi induzido pelo pacote de estímulos econômicos concedido pela atual administração. Para Caio de Souza, sócio da Brava Investimentos, só será possível observar melhor o comportamento da economia norte-americana à medida que os Estados Unidos enxuguem essa liquidez ofertada por dinheiro público, e o que acontecer a partir daí deve nortear as bolsas mundiais.

E agora?

Então, com esse conjuntura, o que o investidore pode esperar? O problema dos PIGS deve ser resolvido pela Comunidade Europeia, como foi sinalizado na última semana, já que os países do continente não querem correr risco de contágio quando enfim as principais economias da Europa dão sinais de que a recessão está chegando a seu fim, segundo avaliação de Raffi Dokuzian, superintende de renda variável do Banif.

Já o impacto da segunda elevação do compulsório para os bancos chineses, tanto pequenos quanto grandes, foi minimizada por grande parte dos analistas. Para André Mello, analista sênior da TOV, é um indicador de que o gigante asiático está com demanda acelerada por commodities, o que beneficia o mercado brasileiro. Dokuzian, do Banif, diz que "são medidas pontuais do governo para que a China tenha um crescimento mais moderado".

Dependência do noticiário externo

Assim, apesar do pânico e das incertezas, parte dos analistas navega no mesmo rumo que os entrevistas pela nossa enquete. Para o longo prazo, os analistas não mudaram suas perspectivas, e continuam anunciando um ano de alta para o mercado. Em parte, porque a economia do Brasil, ao contrário de alguns de seus parceiros do mundo desenvolvido, "vai muito bem, obrigado", segundo Ricardo Martins, gerente de pesquisa da Planner Corretora.

O mercado interno continua aquecido, a inflação está sob controle, os juros estão no menor patamar jamais visto no país e a crise, efetivamente, chegou com menos força por aqui. Ainda assim, o Ibovespa só deve apresentar melhora significativa quando as notícias do mercado externo apresentarem sinais mais consistentes de recuperação.

A exemplo do que aconteceu nesta quarta-feira (17), quando indicadores norte-americanos do setor imobiliário, além de aumento da capacidade industrial utilizada nos EUA, animaram o mercado e o principal índice da Bolsa brasileira subiu 2,17%, precisaremos de mais novidades positivas no front externo para que a previsão de nossos leitores se concretize.

Confira o resultado da avaliação:

Qual a probabilidade da queda da Bolsa em janeiro

representar o início de uma tendência de baixa?


Votos Percentual
0% 690 17,16%
10% 348

8,66%
20% 604 15,02%
30% 274 6,82%
40% 391 9,73%
50% 592 14,73%
60% 210 5,22%
70% 234 5,82%
80% 123 3,06%
90% 158 3,93%
100% 396

9,85%
Total 4.020 100%

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host