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18/02/2010 - 17h54

Investidor atento e em busca de risco faz crescer portabilidade em previdência

SÃO PAULO – O investidor de previdência privada está mais atento ao mercado e não somente ao seu próprio plano. Como resultado disso, a prática da portabilidade tem crescido.

Dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados) mostraram que, entre 2008 e 2009, o volume de recursos cedidos para outros planos avançou 49,4%, de R$ 1,793 bilhão para R$ 2,679 bilhões.

“Em primeiro lugar, as pessoas têm mais informações do que no passado. Em segundo, elas estão buscando melhores condições comerciais”, afirmou o responsável pela área de Previdência Privada da Mercer, Eduardo Correa.

Mais risco, mais rentabilidade

Outro motivo apontado por ele para a portabilidade nos planos de previdência é a busca por risco, que garante uma melhor rentabilidade, como forma de “diversificar um pouco mais o patrimônio”, nas palavras de Correa.

Ele afirmou, porém, que para este ano não espera muito este movimento. Isso porque o risco nos planos de previdência está no investimento em ações e, embora a Bolsa de Valores possa ser vantajosa no longo prazo, o que o mercado espera é um aumento da Selic para este ano, dando destaque à renda fixa.

“A bolsa conta com boa rentabilidade no longo prazo, mas existe a expectativa de aumento da taxa de juro, o que garante rentabilidade melhor para a renda fixa pós-fixada. Em tese, as pessoas que aplicam na previdência privada e pensam no longo prazo deveriam ter parte em renda variável, mas é um pouco teórico. Não apostaria que as pessoas vão migrar este ano para ações, pelo menos dentro do PGBL e VGBL”, afirmou.

Taxas cobradas

A quem pretende fazer portabilidade, é preciso prestar atenção às regras de seu plano de previdência. Alguns dizem que o investidor precisa cobrir uma carência, antes de fazer resgates ou portar os recursos, ou então pode arcar com uma taxa elevada.

“A carência é de 60 dias, o que não é muito grande. No começo, ela era maior, mas houve uma 'guerra' entre as operadoras”, explicou Correa, sobre a competição no mercado.

De acordo com ele, muitas vezes não existe a cobrança de uma taxa pela portabilidade, mas pelo resgate dos recursos, por meio de uma taxa de saída, o que tem diminuído, principalmente com a extinção da CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira), cuja alíquota de 0,38% era repassada ao investidor.

Uma prática de mercado também é não cobrar a taxa de carregamento – que incide sobre cada aporte feito ao plano –, mas cobrar pelo resgate de recursos de acordo com o tempo em que a pessoa se manteve no plano.

Cuidados

Confira as dicas para quem pensa em portabilidade para 2010:

Dicas para a portabilidade em planos de previdência
Analise com cuidado as condições do seu plano, principalmente no que diz respeito à taxa de saída e à carência mínima, que devem constar no contrato
Veja quais são as taxas que serão cobradas no plano para o qual pretende migrar
Se a portabilidade está sendo feita por questões de rentabilidade, saiba que “rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura” e que as taxas cobradas podem diminuir os ganhos
Compare produtos similares, que mantenham em sua composição a mesma proporção de renda fixa e variável

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