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25/02/2010 - 08h00

Elevação da Selic não aumentará juros do financiamento imobiliário

SÃO PAULO - Consenso entre grande parte dos economistas do País, a taxa básica de juro deve ser elevada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) nos próximos meses. Porém, esse aumento não vai alterar as taxas dos financiamentos imobiliários. A afirmação é do economista-chefe do Secovi SP (Sindicato da Habitação), Celso Petrucci.

"Temos hoje uma taxa básica de juro histórica, ela nunca foi tão baixa. Mas, de acordo com o relatório Focus, esse patamar vai durar pouco, e a Selic deve encerrar o ano em 11,25% (ao ano), ou seja, um aumento de 2,5 pontos percentuais. Mas isso não significa que as taxas de financiamento imobiliário, que trabalha com recursos da poupança e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), também sofrerão aumento. Embora muita gente faça esse questionamento, fato é que a Selic não causa nenhuma influência, porque essas duas fontes de recursos são tabeladas tanto na captação quanto na aplicação", explica.

Petrucci afirma ainda que, basta comparar as taxas cobradas em 2008 com as de 2009, para ver que não há ligação direta. "Neste período, entre os anos de 2008 e 2009, a taxa Selic caiu muito, passando de 13,75% ao ano para 8,75% a.a., porém, as taxas de financiamento não ficaram mais baratas. Logo, se ela não influencia para baixo, também não influencia para cima. Hoje, o que pode realmente reduzir essas taxas é a concorrência e o apetite dos agentes financeiros em fazer financiamento", completa o economista.

Concorrência

E 2010 deve, sim, ser um ano de grande concorrência. "Pelas conversas que temos tido com a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) e com os bancos, me parece que esse ano será de grande competição entre as instituições financeiras públicas e privadas. Em 2009, o estoque de crédito dos bancos públicos superaram os estoques dos privados e eles vão tentar retomar o market share que perderam", conta.

Com isso, quem ganha é o consumidor final. "Sempre que a concorrência é grande, o comprador é quem ganha. Ele é o maior beneficiado, porque a concorrência faz melhorar os serviços prestados e facilita a burocracia. E, este ano, deveremos ter atitudes ainda mais radicais em que as taxas de juros deverão ser barateadas, principalmente para imóveis até R$ 150 mil", finaliza.

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