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25/02/2010 - 10h05

Número de endividados sobe, mas inadimplência das famílias cai em fevereiro

SÃO PAULO – A elevação dos níveis de empregabilidade, o aumento da renda e a ampliação do crédito fizeram com que, em fevereiro, o percentual de famílias brasileiras inadimplentes caísse para 25,6%, ante os 29,1% registrados em janeiro último.

Por outro lado, o número de famílias endividadas aumentou entre os dois meses, passando de 61,2% para 61,8%. Os dados são da Pesquisa Nacional de Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e divulgada na última quarta-feira (24).

De acordo com o levantamento, o número daqueles que terão condições de pagar as dívidas caiu de 10,2% para 8,6% entre janeiro e fevereiro deste ano.

Dívidas por renda

De acordo com a pesquisa, as famílias que afirmaram estar muito endividadas caiu de 13,7% para 13,4%, ao passo que aquelas que se dizem pouco endividadas passou de 25,8% para 26,2%.

Considerando as faixas de renda, as famílias com ganhos de até 10 salários mínimos estão mais endividadas em fevereiro que aquelas com renda superior a esse patamar. No primeiro caso, 63,9% das famílias têm dívidas, ao passo que entre aquelas com ganhos acima de 10 mínimos, 49,6% estão na mesma situação.

Considerando os inadimplentes, as famílias de menor renda também estão em situação pior que as de renda maior, diz a pesquisa. Em fevereiro, 13,2% das famílias que ganham mais de 10 salários mínimos estão com dívidas e contas em atraso. Entre aquelas que recebem abaixo desse patamar, 27,6% estão nessa situação.

O levantamento mostra também que 9,4% das famílias de menor renda acreditam que não terão condições de pagar suas dívidas. Entre as famílias com ganhos acima dos 10 mínimos, esse percentual alcança os 3,6%.

Renda comprometida

De acordo com o levantamento, a parcela da renda comprometida com dívidas registrou queda em fevereiro, ao passar de 28,5% para 27,8%. O tempo médio de comprometimento com as dívidas ficou estável em 6,3 meses entre janeiro e fevereiro.

O tempo médio de atraso de quem possui contas ou dívidas pendentes é de 58,8 dias. Em janeiro, esse período correspondia a 60 dias. O levantamento mostra que, para 40% das famílias, o tempo de atraso é superior a 90 dias.

Crédito pode apresentar reflexos negativos

Para a economista Marianne Hanson, da CNC, a ampliação do crédito pode interferir negativamento nas taxas de inadimplência. “Os prazos maiores para o pagamento têm sido um dos principais fatores para a sustentação da trajetória de crédito, dado que a expansão do crédito ao consumidor tem se dado a taxas superiores ao crescimento da renda”, afirmou, por meio de nota.

Com isso, ela ressalta que, neste ano, o risco de aumento da taxa de inadimplência será maior no segundo semestre.

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