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26/02/2010 - 19h57

Bons balanços podem ajudar Ibovespa, mas cenário externo ainda dita ritmo

SÃO PAULO - Mais uma vez, a agenda de indicadores externos devem ditar o ritmo do Ibovespa, segundo avaliação de Osmar Camilo, analista da corretora Socopa. Na segunda-feira, Camilo aponta que alguns dados da agenda norte-americana, como gasto e consumo pessoal, devem ser incorporados às expectativas de recuperação da economia e colaborar para a manutenção das leves altas dos últimos pregões.

No entanto, Camilo vê ainda mais volatilidade à frente. Eduardo Munhoz, operador de renda variável da TCX Consultoria, acredita que no curto prazo o Ibovespa pode subir um pouco, "mas nada para se animar muito". Em parte, porque ainda espera momentos tensos na Europa, com a críse da dívida na Grécia e as recentes suspeitas de que o país maquiou operações para se adequar aos padrões exigidos para integração na zona do Euro. 

Para Munhoz, o que tem segurado um pouco o mercado e colaborado para a manutenção do patamar dos 66 mil pontos nas últimas semanas é a entrada da pessoa física na bolsa, compensando a saída do investidor estrangeiro. "O que, historicamente, não é uma boa notícia, porque esse investidor chega atrasado. O estrangeiro acaba fazendo falta.", aponta.

Osmar Camilo também acredita que só poderemos esperar altas maiores quando houver a volta desses investidores. "E a tendência é que o estrangeiro, em especial, continue cauteloso na aplicação de seus recursos", afirma. 

Employment Report

Falando da agenda de indicadores, o Employment Report, que compila a taxa de desemprego e a criação de vagas nos EUA, entre outros indicadores do mercado de trabalho norte-americano, é sempre o maior destaque da semana em que é publicado. Dessa vez, não é diferente, já que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) continua não conseguindo impactar na geração de postos de trabalho no país.

Caso tenham sigo cortadas vagas outra vez, como espera o consenso do mercado, o investidor deve reagir muito "mal", afirma Munhoz. Por isso, Osmar Camilo aponta que uma alta mais forte ainda é improvável tanto aqui como lá fora, "sempre na dependência de indicadores externos". 

Médio prazo

E, por essa impossibilidade de descolamento, Eduardo Munhoz é pessimista para o médio prazo. "No mercado brasileiro ainda há ânimo, disposição de compra, mas o global vai pesar mais e, no médio prazo, conduzirá a bolsa para baixo". A expectativa do operador da TCX é que, ao final deste ano, o Ibovespa esteja abaixo dos 60 mil pontos. 

Assim, o investidor deve se preparar para aproveitar as oportunidades e selecionar bem as empresas, com visão de longo prazo. Por que, considerando-se uma extensão de tempo mais longa, Munhoz afirma: "sou comprador". 

Balanços

E, por enquanto, o que podemos esperar é que os resultados bons das empresas ajudem a aliviar o impacto do período de baixa que o mercado atravessa. Mas Camilo lembra que a influência de resultados corporativos na valorização do índice tem a ver com o peso que esses papéis têm no Ibovespa.  E, nesta semana, as empresas que divulgarão balanços são de menor destaque. 

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