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26/02/2010 - 20h05

Fundos de ações globais têm melhor captação semanal dos últimos 6 meses

SÃO PAULO - Apesar do clima instável visto nas últimas sessões, os fundos de ações tem sido um dos destinos preferidos dos grandes investidores. Contudo, a alocação crescente dos investimentos nos fundos de renda fixa mostra que a apreensão parece falar mais alto, o que fica mais nítido com o saldo negativo de captação visto nos fundos setoriais. É o que mostra o relatório semanal da EPFR Global.

A instituição que acompanha o mercado de fundos no mundo mostrou que o desempenho dos fundos de ações globais na semana encerrada no dia 24 de fevereiro foi o melhor desde a metade de setembro de 2009, captando um montante de US$ 1,29 bilhão.

Segmentando essa categoria por regiões, os Estados Unidos aparecem como um dos principais destaques, já que os fundos de ações da principal economia foram responsáveis pela captação de 45% do valor total de todos os fundos de ações no período. Na Ásia, destaque para o Japão, cuja indústria de fundos chegou à sua nona semana consecutiva de captação positiva, sendo a maior sequência vista no país desde o terceiro trimestre de 2008.

Os fundos de ações de mercados emergentes também tiveram um bom desempenho. Segundo a EPFR Global, três dos quatro principais grupos nesse segmento tiveram uma captação positiva na semana, à medida que os investidores demonstram uma recuperação dos níveis de apetite ao risco.

China e Europa mostram saída de capital

Contrastando o bom desempenho de Estados Unidos, Japão e emergentes, os fundos de ações europeus foram os únicos a apresentar uma captação negativa entre as principais economias desenvolvidas do mundo na última semana.

Segundo a EPFR, dados econômicos recentemente apresentados pela Alemanha e novas preocupações acerca da situação fiscal grega levaram os investidores à sexta semana consecutiva de retirada de capital nos fundos do velho continente, demonstrando ceticismo diante do verdadeiro ritmo de recuperação da economia europeia.

Já na Ásia, os fundos de ações dos países do continente - com exceção do Japão - e também os da China tiveram um desempenho negativo. Os primeiros viram a saída de capital superar a entrada em US$ 40 milhões na semana, ao passo que os fundos chineses tiveram um saldo financeiro negativo pela sétima vez em oito semanas.

"Questões sobre qual será a intensidade do freio que as autoridades chinesas usarão para evitar a formação de bolhas de ativos deixaram os horizontes novamente nebulosos para os investidores nos fundos de ações da Ásia ex-Japão e nos fundos de ações da China", disse Brad Durham, um dos diretores da EPFR Global.

Setores

Os sinais de apreensão envolvendo China e Europa não prejudicaram apenas os fundos envolvendo ambas as regiões. Segundo relatório da instituição, os fundos de commodities chegaram à oitava semana consecutiva de fluxo negativo de capital, atingindo sua maior sequência de fuga de investimentos dos últimos quatro anos. Assim como os fundos de materiais básicos, as indústrias de investimentos voltados ao setor financeiro tiveram um resgate de US$ 724 milhões no período.

Seguindo a mesma trajetória negativa, aparecem os fundos de investimento do setor de telecomunicações, que mantiveram o recorde de reportar saída de capital em todas as semanas do ano. Já os fundos do setor de tecnologia sofreram a terceira semana consecutiva de captações negativas.

Contrariando a tendência de grande parte dos fundos definidos por segmentos de atuação, aparecem dois setores caracterizados pela EPFR como claramente defensivos: os fundos voltados a energia e saneamento, que interromperam uma sequência de três semanas seguidas de resgate, e os de saúde e biotecnologia, que alcançaram a terceira semana de fluxo positivo em quatro semanas.

Renda fixa

A retirada de capital de fundos setoriais, contudo, contribuiu para a semana positiva para os investimentos em renda fixa. Segundo os dados da instituição, os fundos de títulos de dívidas acompanhados por ela acumularam US$ 6,16 bilhões na semana, a máxima em 14 semanas.

Segmentando os investimentos, destaque para os fundos de bonds norte-americanos, compostos por títulos de dívidas do governo dos EUA, que chegaram à 60ª semana consecutiva de captação positiva. Os fundos de títulos de dívidas globais tiveram um saldo positivo de US$ 1,9 bilhão no período.

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