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01/03/2010 - 12h51

Citi vê fantasma da inflação acordar e enxerga aperto monetário iminente no Brasil

SÃO PAULO – A inflação voltou a tona recentemente em várias das economias emergentes, servindo para despertar a seguinte questão: será que a tendência atual de crescimento nos mercados emergentes dará lugar para ajustes na política monetária em 2010?

Para responder esta pergunta e delinear o horizonte monetário nas economias emergentes, o Citi divulgou relatório sobre o tema, no qual discorre acerca de riscos inflacionários que podem vir, além de avaliar os recentes passos das autoridades monetárias.

Inicialmente, os analistas destacam situação fiscal na Grécia como trigger de turbulência no mercado. Entretanto, os gregos não são os únicos apontados como culpados: as medidas na China, como o aumento do compulsório, também fizeram seu estrago, segundo o banco.

IPCA acima da meta

“E não é só na China que as pressões inflacionárias podem estar subindo: há outros países – Brasil, México, Índia e Turquia – em que a inflação e as expectativas mostram tendência de ascensão”, completa o Citi. Nesse sentido, os analistas citam o Brasil como exemplo, onde os preços aos consumidores e aos produtores surpreenderam negativamente em janeiro.

Retendo a maior parte das preocupações, a equipe de research alerta para a ascensão no núcleo do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que chegou durante janeiro– em termos anualizados – acima da meta oficial do Banco Central, de 4,5% ao ano.

A instituição financeira avalia que, desde o choque dos bens primários em 2008, as commodities podem estar pressionando a inflação para cima. Os analistas ressaltam a necessidade de um aperto monetário, porém creem que o mesmo só ocorrerá em todo o mundo no decorrer dos próximos meses, vide a utilização de medidas para enxugar a liquidez como saída a uma elevação no juro básico.

Controle de capital

Quando o aumento do juro básico chegar, a instituição financeira acredita que tal ascensão poderá funcionar como um catalisador ao fluxo de capitais nos mercados emergentes, o que não necessariamente se traduzirá em valorização cambial, caso o controle sobre os capitais volte à tona. Nesse sentido, os analistas citam o Brasil como exemplo e as condições requeridas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) para o uso do controle de capital.

Conforme apontado pelo Fundo, “se a economia estiver operando perto do potencial, se o nível de reservas for adequado, se a taxa de câmbio não for subvalorizada e se os fluxos de capitais não forem transitórios, então o uso do controle de capital – em adição a política prudente no âmbito macroeconômico – se justifica como uma parte das ferramentas para gerenciar os fluxos”.

Contas externas deterioradas

Em um olhar detalhado sobre o Brasil, o Citi afirma que elevou sua expectativa de inflação em 2010, de 4,5% para 4,8%, dadas as pressões recentes. “No âmbito da atividade econômica, os fundamentos continuam a suportar um forte crescimento, sugerindo que a desaceleração em dezembro é temporária”, completam os analistas.

A instituição financeira reforça a expectativa de deterioração nas contas externas em 2010, além de uma melhora no superávit primário, “ambos refletindo os efeitos positivos da recuperação doméstica nas importações e na dinâmica da arrecadação fiscal”.

Em adição, o banco norte-americano acredita que o mercado de câmbio deverá ser afetado pela volatilidade elevada neste ano, o que leva a uma estratégia de vender dólares no horizonte de três meses.

Selic a 12,25% ao ano

Por último, a equipe de research acredita em aumento de 50 pontos-base na Selic já em março, levando-a ao patamar de 9,25% ao ano. No segundo trimestre, os analistas projetam acréscimo de 150 pontos-base no juro básico, a ser acompanhado de uma nova elevação na mesma intensidade durante o terceiro trimestre de 2010, resultando em um juro básico a 12,25% ao ano – patamar que deverá ficar inerte até o Reveillon.

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