UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

01/03/2010 - 10h09

Pessoas têm ações de Telebrás na gaveta e não sabem, diz analista

SÃO PAULO - Muitos brasileiros são acionistas da Telebrás e não sabem. A afirmação é da analista da SLW Corretora, Rosângela Ribeiro.

"Entre as décadas de 70 e 90, quem comprava uma linha de telefone fixo no plano de expansão recebia ações da estatal. E muitas pessoas não davam muita atenção para isso. Por isso, tem muita gente que deixou os papéis na gaveta e mais gente ainda que herdou essas ações e não tem ideia que podem negociá-las. As pessoas só começaram a se atentar para isso depois que veículos de comunicação informaram em meados de fevereiro que nos últimos anos os papéis da companhia renderam 35.000%", explica.

Você é acionista?

Rosângela explica que, para a pessoa descobrir se é acionista da empresa, basta comparecer a qualquer agência do Banco Real, portando CPF, RG e comprovante de residência, e solicitar uma consulta ao sistema.

"O Banco Real é responsável pela custódia dessas ações. Por isso,  eles têm como checar se o cidadão possui ou não os papéis supervalorizados", conta.

A analista explica ainda que na agência também é possível descobrir se o cidadão possui papéis das outras 12 empresas em que a Telebrás foi dividida. "Em 1998 a empresa foi desmembrada em 12 outras empresas, cada uma responsável por algumas das participações da holding. Então, quem comprou uma linha de telefone anos atrás pode também ter participação nessas outras companhias".

Hora de investir?

A analista explica que a valorização, capaz de transformar R$ 10 mil aplicados em 2003 em R$ 3,5 milhões em 2010, aconteceu, em grande parte, por causa de rumores.

"Nos últimos anos, há constantes rumores de que o governo Lula poderia reativar a Telebrás para que a companhia atue no programa de massificação da banda larga e barateie o custo desse tipo de internet para toda a população brasileira. Mas isso é apenas especulação, porque a empresa atualmente não tem atividade operacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá tomar uma decisão definitiva sobre isso agora em março".

Rosângela diz ainda que, embora os números impressionem os investidores, o momento não é de compra dos ativos. "Nesse momento, nossa recomendação é de cautela. Nós, analistas fundamentalistas, trabalhamos com dados reais e hoje não temos como avaliar e precificar a empresa, já que ela não está ativa, então, não há dados reais de perspectiva de crescimento. Portanto e considerando esse nível de preço, não temos recomendação de compra para o papel. Porém, os rumores provocam altas e baixas das ações e elas estão muito expostas nesse momento. Então, há investidores que ficam surfando nesses rumores, que trazem muita volatilidade e fazem os papéis subirem, mas também descerem. A compra especulativa acontece, sim, mas não dá para recomendar a compra", finaliza.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host