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04/03/2010 - 16h14

Por conta de transportes, baixa renda sente mais a inflação em fevereiro

SÃO PAULO – Em fevereiro, o consumidor de baixa renda sentiu mais o aumento dos preços do que o restante da população.

Isso porque, segundo explicações do economista da FGV (Fundação Getulio Vargas), André Braz, os reajustes ocorridos no início do ano nas tarifas de ônibus urbano foram mais sentidos por esta parcela da população.

De acordo com Braz, os gastos com transportes, especialmente o público, representam 11% do total de despesas das famílias cujos ganhos são de até 2,5 salários mínimos por mês, sendo que, nos últimos meses, o item tem sido uma das maiores contribuições para o aumento dos preços do IPC-C1 (Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1).

“Para se ter uma ideia, as tarifas de ônibus urbano representaram 0,30 p.p. no IPC-C1, enquanto no IPC-BR foi quase a metade desse valor”, diz o economista.

Alimentos

O grupo dos alimentos também contribuiu para que o consumidor de baixa renda sentisse mais a alta dos preços.

Em fevereiro, esta classe de despesa, que responde por 40% dos gastos das famílias com menor poder aquisitivo, teve alta de 2,22%, com influência especial do açúcar refinado, que subiu 12,24%, e dos ovos, com alta de 5,7%.

Este último item, na opinião do especialista, deve continuar pressionando os gastos das famílias de baixa renda no próximo mês. Isso porque, diz ele, é hábito de muitas pessoas não comerem carne no período da Quaresma.

Inflação

Em fevereiro, a inflação da baixa renda, medida pelo IPC-C1 ficou em 0,90%, contra 0,68% do IPC-BR, que mede a inflação geral. Em 12 meses, os índices ficaram em 5,07% e 4,91%, respectivamente.

Para março, segundo Braz, a inflação da baixa renda deve desacelerar no índice mensal, mas continuar a acelerar na comparação entre os últimos 12 meses e igual período anterior, passando por estabilidade a partir de abril.

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