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05/03/2010 - 18h07

Crise abalou investimentos em fundos de ações com foco sustentável

SÃO PAULO – A crise abalou os investimentos dos brasileiros em fundos de ações que prezam empresas que praticam ações de sustentabilidade e de governança corporativa ou ainda ajudam projetos sociais.

A captação líquida dos fundos de ações com foco em sustentabilidade e governança corporativa, de acordo com dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), ficou negativa em R$ 34 milhões nos últimos 12 meses terminados em janeiro deste ano.

“A crise gerou no primeiro semestre de 2009 muita incerteza no mercado internacional e assustou muitas pessoas que estavam em fundos de ações”, afirmou o diretor de Produtos do Asset do Itaú, Roberto Nishikawa.

Esses fundos de ações com foco em sustentabilidade e governança corporativa não admitem alavancagem e devem ter recursos remanescentes investidos em operações permitidas ao tipo referenciado DI (fundos que objetivam investir, no mínimo, 95% do valor de sua carteira em títulos ou operações que busquem acompanhar as variações do CDI ou SELIC).

Os fundos

A ajuda a projetos sociais é feita com base na doação de parte da taxa de administração que é paga pelos investidores, como é o caso do FIES (Fundo Itaú Excelência Social). “O fundo investe em ações de empresas socialmente responsáveis e destina metade da taxa de administração para projetos sociais”, explicou o diretor, que ainda disse que já foram repassados R$ 13 milhões a 77 ONGs (Organizações Não-Governamentais) desde 2004.

Em 2009, o fundo teve um retorno de 76,23%, ante a rentabilidade do ISE – índice da Bolsa de Valores de São Paulo para empresas com ações sustentáveis – de 68,84%. A taxa de administração é de 3% ao ano.

O patrimônio líquido do fundo é de R$ 365 milhões e ele possui 20 mil cotistas, o que dá uma média de R$ 18 mil aplicados por investidor. O valor inicial de investimento é de R$ 1 mil. De acordo com Nishikawa, apesar da rentabilidade destaque, frente ao indicador do mercado, houve queda de 13% no número de cotistas, em relação a 2008, reflexo da crise.

O Bradesco também tem um fundo de ações composto por papéis de empresas do ISE, com aplicação mínima inicial de R$ 1 mil e taxa de administração de 2,5% ao ano. O patrimônio líquido, neste caso, é de R$ 28,3 milhões, considerando a média dos últimos 12 meses terminados em 4 de março. A rentabilidade do mesmo período foi de 70,57%.

No caso do fundo do HSBC, chamado de FI Ações Sustentabilidade Empresarial, a rentabilidade acumulada em 12 meses terminados em 4 de março foi de 69,36%, enquanto o patrimônio médio mensal do mesmo período foi de R$ 82,088 milhões. A taxa de administração, neste caso, é de 2,5% ao ano e a aplicação mínima inicial é de R$ 1 mil.

Tendência

Apesar da rentabilidade expressiva em 2009, esses fundos não atraíram ou até mesmo afastaram investidores temerosos com a crise. Porém, para os próximos anos, a tendência é de que eles conquistem cada vez mais brasileiros, de acordo com o diretor do Itaú.

“O fundo cresceu bastante, mas ainda não é expressivo, se analisarmos a indústria como um todo. O volume de investidores tende a crescer”, afirmou Nishikawa, para quem a modalidade precisa de divulgação. “Às vezes, a pessoa tem recurso ,mas não sabe como contribuir. As pessoas se preocupam com o social, mas não sabem como ajudar”.

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