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05/03/2010 - 09h13

Não haverá problemas de oferta de etanol até o fim deste ano, garante Unica

SÃO PAULO – Não deve faltar etanol no mercado, garantiu, na última quinta-feira (4), o presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank, que se reuniu com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para discutir o financiamento para a estocagem do combustível.

No segundo semestre, cerca de R$ 2,5 bilhões devem ser liberados para garantir a oferta do etanol até o final deste ano. A estocagem, para usinas e Governo, é a solução mais eficaz para evitar aumentos sucessivos nos preços do litro do combustível. O empréstimo será com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Para o diretor técnico da Unica, Antônio de Pádua Ribeiro, o recurso precisa ter juros baixos e aceitar o etanol como garantia real do financiamento. 

Preços

Em fevereiro, os preços do etanol começaram a cair para os produtores, mas o repasse das quedas para o consumidor final só começou a ser feito no final do mês passado. “Mais uma vez, o preço na bomba sobe de elevador e desce de escada”, afirmou Jank, de acordo com a Agência Brasil.

Somente nas últimas cinco semanas, o preço do etanol para as usinas de São Paulo caiu 16,7%, enquanto que os consumidores sentiram uma queda bem menor, de 1%.

Se a queda fosse repassada aos consumidores, a competitividade do etanol frente à gasolina aumentaria. Para ser vantajoso, o preço do litro do derivado de cana-de-açúcar tem de representar até 70% do valor do litro da gasolina.

 

Segundo dados divulgados pela Ticket Car nesta semana, em fevereiro, a troca de gasolina pelo álcool na hora do abastecimento do veículo compensava apenas no Mato Grosso. No estado, o litro da gasolina custava R$ 2,905, enquanto o do álcool estava cotado a R$ 1,924, o que representava uma diferença de preços de 33,8%. 

Trajetória das elevações

No ano passado, a crise financeira internacional e as chuvas prejudicaram a oferta de álcool no mercado. De acordo com Jank, cerca de 4 bilhões de litros do derivado de cana-de-açúcar deixaram de ser produzidos. Com a falta do combustível no mercado, os preços dispararam.

 

Neste ano, para ajudar a conter as altas nos preços e evitar o desabastecimento, o Governo anunciou a redução do percentual de adição do etanol à gasolina, de 25% para 20%, a fim de aumentar a oferta do derivado de cana-de-açúcar. A medida, que começou a vigorar em fevereiro, é provisória e tem data certa para terminar, no início de maio.

Impostos 

Ainda na última quinta (4), representantes da Unica também se encontraram com representantes de outros ministérios para tratar de outros temas relacionados ao mercado de etanol, como a isenção da alíquota de 20% para a importação do combustível.

"Queremos que a tarifa seja zerada", afirmou Jank, ainda segundo a Agência Brasil. "Não tem a ver com abastecimento, mas sim com mercado mundial, pois achamos que o Brasil tem de dar exemplo", completou.

A proposta está sendo discutida pela Camex (Câmara de Comércio Exterior). 

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