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08/03/2010 - 08h00

Com renda própria e crédito, mulheres "estão armadas para a compra"

SÃO PAULO – A participação cada vez maior da mulher no mercado de trabalho, o aumento da renda e a expansão do crédito são os principais fatores que as levaram a aumentar o consumo. Se antes as mulheres precisavam da comprovação de renda do marido para efetuar alguma compra a prazo ou dependiam de alguém para comprar à vista, hoje, essa situação mudou. “Elas estão armadas para a compra", resumiu o economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo.

Não importa o campo de batalha, se shoppings, lojas de ruas ou outros centros de consumo, a renda própria e o cartão de crédito foram as armas que conferiram à mulher a condição de consumidora plena. De acordo com o economista, nas últimas duas décadas, elas ficaram mais independentes, têm renda própria e quando decidem ir às compras, vão.

Apesar do avanço, na hora de decidir o que levar para casa, itens de vestuário e artigos para casa figuram ainda como os principais produtos que levam as mulheres a gastar. Itens tecnológicos, embora estejam caindo cada vez mais no gosto das mulheres, ainda são produtos mais cobiçados pelos homens.

Elas decidem as compras e arcam com as consequências

Para Solimeo, a decisão das compras são feitas em conjunto. Mas a tendência é que elas dêem a palavra final. Uma pesquisa revelou que 77% das brasileiras possuem, ao menos, metade do poder de decisão das compras domésticas. De acordo com o levantamento, realizado pela Sophia Mind Pesquisa e Inteligência de Mercado com duas mil brasileiras, 26% das entrevistadas afirmaram que a maior parte da decisão cabe a elas. E outras 18% disseram que decidem tudo sozinhas.

“A mulher já decidia em grande parte, mas dependia, quando precisava do crédito, da autorização, da comprovação de rendimentos do marido”, afirma Solimeo. “E hoje, ela vai muito mais sozinha fazer compras do que ia no passado”.

E elas levam tempo para dar aquela voltinha no shopping. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa de sobremesas congeladas Skinny Cow, as mulheres gastaram 159 horas e 56 minutos fazendo compras em 2009. Em 12 meses, elas visitaram 132 vezes um centro de compras.

Tamanha exposição tem um preço. “A participação da mulher está igual à dos homens nas consultas ao SPC”, afirma o economista. “As próximas estatísticas já vão mostrar predomínio das mulheres nessas consultas”, prevê Solimeo.

Elas gastam mais?

Se as mulheres estão ficando cada vez mais endividadas, então elas gastam mais que os homens, certo? Segundo o economista da ACSP, não é bem assim. O fato de as mulheres ficarem tanto tempo nos centros de consumo faz com que elas realizem uma comprinha aqui e outra ali. “A mulher muitas vezes é mais gastadora que o homem nas compras por impulso, porque ela está mais exposta”.

Os pesquisadores Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca, no livro “Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice”, discordam da fama de gastadora das mulheres. Para eles, os homens tendem a gastar mais, porque adquirem itens mais caros, enquanto que as mulheres efetuam mais compras, mas de menor valor.

As compras por impulso, conta Solimeo, representam uma parcela importante das comercializações do varejo e a mulher é a representante maior. “A tendência é que ela consuma mais, mesmo que não seja para ela”, conta o economista, que ressalta que mesmo com toda a independência que adquiriram ao longo do tempo, as mulheres ainda se preocupam com a casa e com a família. “Ela não se preocupa apenas com o consumo próprio, mas da família. Ela está se tornando a principal consumidora do lar”, acredita. 

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