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08/03/2010 - 12h50

Produtos financeiros se adaptam às necessidades da mulher investidora

SÃO PAULO – Que as mulheres são as mais preocupadas com o futuro, muita gente já desconfia. E essa percepção é demonstrada em números: dos 558,8 mil investidores cadastrados em fevereiro deste ano na BM&FBovespa, as mulheres são 23,5%, ou 136,8 mil. Em 2002, apenas 15 mil mulheres investiam na bolsa, representando 17,63% do total de investidores na época.

A crescente preocupação delas pelos investimentos surge ao mesmo tempo em que o mercado começa a ver as necessidades e anseios específicos do público feminino quando o assunto é formação do patrimônio.

Segundo a gerente de popularização da BM&FBovespa, Patrícia Quadros, pesquisas mostram que, na maioria das famílias, é a mulher a gestora das finanças, quem toma as decisões de investimentos. “Por que não ter produtos financeiros específicos para a mulher? As seguradoras já fazem isso há muito tempo e agora o mercado financeiro também está fazendo”, declarou.

Moldado para elas

Patrícia lembra que fundos de investimento, por exemplo, são abertos a qualquer pessoa que queira participar. Mas destaca a importância de haver ofertas voltadas ao público feminino.

A BM&FBovespa possui um programa de educação financeira específico para esse público. O curso gratuito “Mulheres em Ação”, por exemplo, já registrou mais de 11 mil mulheres atendidas em todo o Brasil desde 2006.

“O curso serve para dar subsídio para que ela veja que o mercado de ações pode ser usado para formação do patrimônio”, explicou Patrícia. “Como a mulher pensa mais no futuro, é bom que ela tenha a percepção de que o mercado pode auxiliá-la nesse objetivo, pois sabemos historicamente que, comparados a outros ativos, o mercado tem um bom resultado em rentabilidade no longo prazo”, completou.

Segurança e conhecimento

Em seus dez anos atuando no mercado financeiro, a consultora de investimentos Sandra Blanco, autora do livro A Bolsa para Mulheres, pode afirmar, com convicção, que o aspecto mais procurado pelas mulheres que buscam começar a investir é a segurança.

Para ela, enquanto os homens geralmente são criados para jogar, arriscar, a mulher busca conforto. “Porém, conforme o conhecimento vai aumentando e ela vai desenvolvendo suas habilidades como investidora, a mulher começa a ficar mais agressiva, começa a investir mais em ações”, afirma a consultora.

Sandra considera o “conhecimento” como a palavra-chave para atrair as mulheres para o mercado financeiro. “O maior interesse do público feminino começa a ser notado quando os bancos, corretoras, enfim, todo mundo começou a oferecer programas de aproximação”, destaca. “É o segmento de educação financeira que faz com que elas passem as informações uma para a outra e isso cresce viralmente. Mas precisou partir de nós, do mercado, a iniciativa de oferecer mais informações para que elas pudessem aumentar sua participação”, afirma.

Criadora do primeiro clube de investimentos só para mulheres, o MulherInvest, que possui hoje cem membros ativos, Sandra resume dois passos principais que devem ser tomados pela mulher que decide começar a investir. O primeiro deles é o planejamento. “Ela precisa analisar a situação dela hoje e saber o que ela precisa lá na frente”.

O segundo é buscar informação. “Fazer cursos, buscar na internet, entrar em grupos de investimentos que fazem estudos. Tudo isso para que ela se sinta mais confortável para investir. Lembrando que o medo afasta muitas mulheres e quando elas sabem mais, se sentem mais seguras”, conclui Sandra.

Disciplina

Atualmente com 1.145 investidores, o fundo de investimento em ações Meninas Iradas surgiu em 2007, a partir de uma reunião na qual os participantes perceberam que as mulheres tinham por cultura investir menos que os homens.

“Elas se dedicam mais à família, compram presente para a sogra, para a cunhada. O dinheiro da mulher é todo em prol da família e, por isso, as que passam por dificuldades financeiras estão em maior número”, declarou Priscila Fracari Vargas, superintendente comercial da corretora Geração Futuro, que administra o Meninas Iradas.

Priscila conta que as mulheres se revelam mais disciplinadas nos investimentos a partir do momento em que percebem ser aquele um instrumento para a formação do patrimônio, necessário para garantir a segurança da família no futuro.

“O homem, por mais que entenda o fundamento do negócio, tem a necessidade do ganho de curto prazo. Ele quer deslanchar rapidamente na carreira. A mulher planta para colher os frutos lá na frente. Isso se reflete no mercado de ações: quando ela entende que é para o futuro, continua regando”, aponta a executiva. “Isso facilita na disciplina, um dos principais aspectos para obter ganho no mercado de ações”, afirma.

Responsabilidade é fundamental

Pensando nas características da mulher, o fundo foi montado com ativos de empresas que se preocupam com a responsabilidade social. Foram excluídas companhias de armas, bebida e cigarro. Além disso, parte da taxa de administração é doada ao programa social Poupança Comunitária, que ensina a população de comunidades carentes a lidar com dinheiro.

“Apesar de mais avessa ao risco, a mulher é mais responsável. O papel delas hoje no mercado de ações é fundamental”, finaliza Priscila.

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