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08/03/2010 - 13h56

Ricas e poderosas, as mulheres dispensam o básico e buscam o exclusivo

SÃO PAULO – Elas representam 49% dos 135 milhões de brasileiros e estão em ascensão. No Brasil, dentre uma parcela da população definida como rica e próspera, as mulheres lideram. Com renda cada vez maior, elas estão consumindo mais e utilizando mais o crédito. Nesse grupo, elas são 4,9 milhões e os homens, 4,7 milhões. E mesmo quando não pertencem aos segmentos mais ricos da sociedade, elas buscam, no consumo, se adequar ao grupo que fazem parte. E gastam para isso.

Um estudo realizado pela Serasa Experian, baseado na pesquisa Mosaic Brasil – que identificou que o País está dividido em dez grupos sociais -, revela que as mulheres estão entre os grupos mais abastados da população, são profissionais maduras, de boa formação, bom poder aquisitivo e alto poder de compra - e que, por conta disso, buscam no consumo materializar o seu sucesso, procurando produtos exclusivos e dispensando os básicos. 

Vocação para crescer

De acordo com o estudo, as mulheres lideram em dois, dos três grupos mais abastados da população. Nesses grupos distintos, elas buscam exclusividade e tendem a consumir bens para a satisfação pessoal, pois não se preocupam mais com itens básicos – que já consomem sem grandes preocupações. Para essas mulheres, cada vez mais ricas e poderosas, a sofisticação é o que conta.

Para chegar a esse patamar, porém, elas batalharam muito. Não faz muito tempo que as mulheres reivindicavam direitos iguais no mercado de trabalho e na sociedade perante os homens. A vontade de não ficar atrás é o que fez elas liderarem o segmento dos mais ricos do País.

“O investimento feito pela mulher em educação há alguns anos e a iniciativa de tentar ocupar mais espaço no mercado de trabalho vêm trazendo resultado”, avalia o presidente da Unidade de Negócios de Marketing Services da Serasa Experian, Juliano Marcilio.

O retorno do esforço é um emprego estável, que trouxe a elas uma renda maior, que possibilitou as mudanças - e o aumento -  no consumo. “As mulheres tomam as principais decisões de consumo quando se fala de moda, vestuário, lazer, alimentação em lugares diferenciados e outros itens de satisfação pessoal”, comenta Marcilio.

Produtos diferenciados e exclusividade é o que conta para as mulheres quando elas conseguem crescer. “Dentre os segmentos de maior nível de consumo, a tendência é que a mulher passe a ter acesso à possibilidade de adquirir artigos de luxo, que em outros segmentos da sociedade são considerados supérfluos”, diz o especialista.

De acordo com Marcilio, com renda maior, as necessidades delas mudaram na hora de consumir. “Antes, você tinha um consumo muito focado em necessidades mais básicas. Agora, esse consumo está mais sofisticado”. O fato de a mulher ter ganhos maiores, porém, não é a única justificativa para um consumo mais apurado.

Marcilio explica que, quando passamos a fazer parte de um segmento que se comporta de uma determinada maneira, tendemos a querer se adequar de modo semelhante. “Para ser inserido”, resume. Dessa forma, as mulheres que ascenderam no mercado e na renda, consomem mais para se sentir dentro do novo segmento ao qual elas pertencem.

Crédito consciente

Exatamente por terem um maior poder aquisitivo é que as mulheres têm um acesso cada vez maior ao crédito. Porém, ao contrário dos homens, elas o utilizam de maneira mais consciente, afirma Marcílio.

Entre os grupos identificados pela pesquisa, existe um segmento denominado Consumidores Indisciplinados. Nesse grupo, 57% são homens e 43% são mulheres. Para o especialista, essa diferença está justamente no uso correto do crédito. “No segmento das mulheres, o consumo de crédito é mais consciente”.

Nem tudo é cor-de-rosa

Embora liderem grupos dos segmentos mais abastados da sociedade, as mulheres de renda média ainda enfrentam dificuldades no mercado de trabalho, no acesso ao crédito e no consumo.

Prova disso é que, segundo o estudo, dentro do grupo Assalariados Urbanos, composto por profissionais das mais variadas ocupações, que têm uma renda modesta, com bom padrão de vida, mas que não permite grandes luxos, 49% das mulheres vivem com o orçamento apertado.

Apesar disso, o que se espera é que elas cresçam mais e consumam mais. “As mulheres ocupam uma parcela relevante e são maioria em segmentos que já têm acesso ao consumo. E o principal indutor desse processo é o investimento em educação, que já se transformou em benefício para elas”.

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