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08/03/2010 - 11h50

Você sabe qual é o valor mínimo necessário para se começar a investir?

SÃO PAULO – Uma das principais barreiras para aqueles que ainda não investem se renderem de vez ao mercado de capitais é a falsa crença de que, para se ter um portfólio de investimentos, são necessárias altas quantias. Antes de fugir da importância de se ter dinheiro aplicado com este argumento, você sabe responder qual o mínimo necessário para colocar a decisão de começar a investir em prática?

Analisando cinco tipos de mercados – ações, poupança, tesouro direto, CDB e fundos – a resposta varia. E a boa notícia é que, em muitas das opções, não há um valor mínimo estipulado para começar a investir – ou seja, você pode começar a investir com o valor que estiver a seu alcance.

No caso das quatro últimas categorias, foram analisados os produtos oferecidos pelos quatro maiores bancos de varejo do País: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Itaú.

Poupança

Um dos investimentos mais tradicionais, a poupança não pede valor mínimo para começar a investir. Para abrir uma caderneta de poupança, os bancos pedem apresentação de RG, CPF e comprovante de residência.

O principal atrativo da poupança é a segurança, uma vez que aplicações de até R$ 60 mil são garantidas pelo Fundo Garantidor de Crédito. Além disso, as aplicações de pessoa física, de qualquer valor, são isentas de imposto de renda e IOF (Imposto sobre Operação Financeira).

O rendimento mensal é de 0,5% mais a TR (Taxa Referencial), que são creditados no aniversário da conta – há o benefício de liquidez diária, ou seja, o investidor pode sacar qualquer dia, mas se houver saque antes antes do aniversário, não haverá remuneração pelo dinheiro aplicado.

CDB

Os CDBs (Certificado de Depósito Bancário) são títulos de renda fixa emitidos pelos bancos para captação de recursos.

Entre os bancos analisados, a tendência é de oferecer diferentes produtos: um mais básico, e outros diferenciados, que por sua vez requerem investimento inicial maior.

O valor mínimo necessário fica por conta do Itaú, que oferece o “Aplicação Automática Itaú”, um tipo de CDB com risco menor, sem nenhum custo e resgate automático, onde o dinheiro é aplicado em um CDB do banco, que garante, juntamente com o FGC, o valor aplicado. É um serviço de aplicação e resgate automático do seu dinheiro disponível em conta corrente (sendo necessário um mínimo de R$ 100,00), sem nenhum custo e com rentabilidade diária. Por outro lado, entre os outros três produtos oferecidos, os valores iniciais variam entre R$ 5 mil e R$ 30 mil, maior do que o requerido pelos outros bancos.

A seguir, confira os valores mínimos:

Instituição Valor mínimo
Banco do Brasil R$ 500,00
Bradesco R$ 1.000,00
Caixa Econômica Federal R$ 1.000,00
Itaú R$ 150,00*
*Aplicação automática do saldo em conta corrente acima de R$ 150,00
Vale lembrar que, nos CDBs, ao contrário da poupança, há incidência de tributação. No caso do IOF, este é cobrado apenas para resgates realizados antes de 30 dias, sendo isento a partir dessa data. Quanto ao imposto de renda, as alíquotas são regressivas, em função do tempo de permanência – quanto maior tempo, menos a incidência de tributação.

Alíquota de Imposto de Renda:

Prazo de PermanênciaAlíquota
Até 180 dias 22,50%
De 181 até 360 dias 20,00%
De 361 até 720 dias 17,50%
Acima de 720 dias 15,00%
Fundos

1. Ações

Os fundos de ações possuem risco maior do que as outras modalidades, e contam com taxa de administração e tributação, além de não possuírem garantia por parte dos bancos ou do FGC.

A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), associação autorreguladora deste mercado, relaciona 17 subcategorias de fundos de ações, ou seja, há no mercado fundos de ações com diferentes perfis. Por exemplo, o investidor encontra fundos ativos (que tenham por objetivo superar seu benchmark) e passivos (que buscam somente acompanhar o benchmark) para o Ibovespa e para o IBrX. Os fundos de privatização de Vale e Petrobras também se encaixam na categoria de fundos de ações. 

Há ainda no mercado fundos setoriais, ou seja, que investem somente em empresas do setor de energia, de telecomunicações, ou mesmo algum outro setor. Sem contar fundos focados em small caps, boas pagadoras de dividendos e empresas com maiores práticas de governança corporativa.

A seguir, confira os valores mínimos:

Instituição Valor mínimo Subcategoria Anbima
Banco do Brasil R$ 200,00 O banco oferece este investimento inicial para fundos de diversas subcategorias*
Bradesco R$ 200,00 Setoriais livre
Caixa Econômica Federal R$ 100,00 PIBB
Itaú Unibanco

R$ 300,00

PIBB
* Ibovespa Ativo, Ibovespa Indexado, IBrX Indexado, Setoriais Livre, Small Caps, Dividendos, Ações Sustentabilidade/Governança, Setoriais Energia, Setoriais Telecomunicações, Setoriais Privatização Petrobras - Recursos Próprios, Setoriais Privatização Vale - Recursos Próprios e PIBB


2. Renda Fixa

Esse tipo de fundo aplica em instrumentos de renda fixa, com no mínimo 80% da carteira sendo investido em títulos da dívida pública federal ou outros títulos de baixo risco.

Assim como no caso dos fundos de ação, é cobrada taxa de administração e a rentabilidade não é garantida pelo banco ou pelo FGC. Entretanto, o risco é menor - assim como os valores mínimos iniciais.

A seguir, confira os valor mínimos:

Instituição Valor mínimo
Banco do Brasil R$ 50,00
Bradesco R$ 100,00
Caixa Econômica Federal R$ 50,00
Itaú Unibanco

R$ 1.000,00

3. DI

Nesse tipo de fundo, no mínimo 95% da carteira estpa em ativos financeiros que busquem acompanhar a variação do CDI e sejam classificados como de baixo risco de crédito.

Os Fundos Referenciados DI apresentam um dos menores níveis de risco, mas, assim como os outros fundos, possuem cobrança de taxa de administração e sua rentabilidade não é garantida.

 A seguir, confira os valores mínimos:

Instituição Valor mínimo
Banco do Brasil R$ 50,00
Bradesco R$ 100,00
Caixa Econômica Federal R$ 100,00
Itaú Unibanco

R$ 1.000,00

4. Multimercados

Esse tipo de fundo combina investimentos nos mercados de renda fixa, câmbio, ações, entre outros, sem o compromisso de concentração em nenhum fator de risco em especial. Geralmente, os fundos multimercados utilizam-se de instrumentos de derivativos para alavancagem de suas posições. 

Assim como ocorre com a categoria Ações, os Multimercados possuem um maior número de subcategorias, para abranger a pluralidade de investimento deste tipo de fundo.

Normalmente possuem um nível de risco médio, podendo ser alto em alguns fundos, em função dos papéis e da estratégia para a carteira. Estes fundos também possuem cobrança de taxa de administração e sua rentabilidade não é garantida.

A seguir, confira os valores mínimos:

Instituição Valor mínimo Subcategoria Anbima
Banco do Brasil R$ 1.000,00 Multimercados Macro
Bradesco R$ 1.000,00  Balanceados e Capital Protegido
Caixa Econômica Federal R$ 1.000,00 Multiestratégia 
Itaú Unibanco

R$ 1.000,00

Capital Protegido
Tesouro Direto

Os títulos públicos são ativos de renda fixa, com a finalidade de captar recursos para o financiamento da dívida pública, e atividades do Governo Federal. Na prática, é como emprestar seu dinheiro para o Estado. Atualmente, é possível comprar diretamente os títulos que desejar, sem aquisição de cotas de fundos de invetimento – por isso o nome Tesouro Direto -, o que reduz o custo de intermediação.

Ainda assim, há taxas – mais baixas do que a dos fundos, e a liquidez é garantida pelo Tesouro Nacional.

As transações podem ser feitas online, através dos agentes de custódia (bancos ou corretoras cadastrados).

O valor mínimo para investir é de 20% do preço do título, que varia conforme o valor do título no dia da compra, ficando na faixa entre R$ 100,00 e R$ 200,00. Há ainda o custo de uma taxa para guarda dos títulos na CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), que fica em 0,4% ao ano, do total do valor investido.

Para transacionar estes papéis, os agentes integrados costumam cobrar também corretagem. O valor varia entre os players que operam neste mercado - a relação de corretoras que oferecem custódia pode ser encontrada em uma sessão especial do site do Tesouro Direto (clique aqui).

Ações

Ao contrário do que muitos acreditam, o investimento em ações não requer grandes somas. Isto porque o pequeno investidor não precisa necessariamente operar no mercado tradicional, onde são negociados lotes de ações (o padrão mais comum é lote de 100 ações).

Isto porque existe o mercado fracionário, onde são compradas e ofertadas ações em quantidades inferiores aos lotes padrão. Vale lembrar que as cotações são diferentes do mercado principal, geralmente mais altas por conta da menor liquidez deste ambiente de negociação.

Assim, o valor mínimo necessário para investir em ação varia conforme o preço da ação e a quantidade que se quer comprar, mais o custo de corretagem e da custódia.

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