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12/03/2010 - 10h20

Consumo e desonerações influenciaram resultados do PIB, dizem especialistas

SÃO PAULO – As medidas tomadas pelo governo federal para estimular a economia e conter os efeitos da crise financeira internacional foram as principais responsáveis pelos resultados positivos do PIB (Produto Interno Bruto) de 2009, segundo especialistas.

Apesar da queda de 0,2%, para o presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Márcio Pochmann, ao reduzir tributos e estimular o consumo da população, o governo impediu uma retração muito maior do PIB no ano passado.

“O desempenho negativo da economia foi interrompido, a partir do segundo trimestre do ano passado, muito mais por ações internas que externas. As medidas de estímulo ao emprego, à renda e à produção evitaram uma recessão profunda (…) Se fosse mantida a tendência observada no último trimestre de 2008, o Brasil teria caminhado para uma recessão acima de 7%, em vez de uma queda próxima a zero”, disse, conforme publicado pela a Agência Brasil.

O presidente da força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, concorda e acrescenta que o reajuste do salário mínimo e a ampliação das parcelas do seguro desemprego também foram medidas de destaque do governo.

Consumo das famílias

Na opinião do professor de economia da UNB (Universidade de Brasília), Victor Gomes, as medidas do governo influenciaram diretamente o consumo das famílias que, por sua vez, impediu uma queda maior do PIB nacional.

Ele destaca que os salários e os empregos foram preservados e as pessoas foram incentivadas a consumir bens importantes para o funcionamento da economia, como veículos, moradias e eletrodomésticos.

“Os dados são resultado do grande pacote de subsídios feito pelo governo para conter a crise em 2009. As pessoas acharam mais vantajoso fazer uma reforma em casa ou comprar um carro do que deixar o dinheiro guardado”, diz.

Segundo Pochmann, a expansão dos gastos das famílias gerou um adicional de R$ 160 bilhões na economia no ano passado, uma média de R$ 2,8 mil por família. Considerando o peso do mercado interno na economia, o consumo das famílias, diz ele, passou de 60,3% do PIB em 2008 para 62,8% no ano passado.

Reforma tributária

Já para a Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), os resultados do PIB mostram que quando há qualquer tipo de redução de impostos, o setor comercial responde de maneira imediata, repassando o benefício para o consumidor, o que faz com que toda a cadeia produtiva se beneficie.

Dessa forma, avalia a entidade, os resultados do PIB comprovam a necessidade do Brasil avançar urgentemente em uma reforma tributária, voltada à desoneração das forças produtivas.

PIB

De acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última quinta-feira (11), o PIB brasileiro variou -0,2% no ano passado, sendo que o consumo das famílias foi um dos componentes que contribuiu para que a queda não fosse maior.

O item teve aumento de 4,1% em 2009, apresentando o sexto ano consecutivo de alta. Na análise trimestral, em relação ao terceiro trimestre do ano passado, o consumo das famílias teve alta um pouco menor, de 1,9%.

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