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12/03/2010 - 20h25

Para analista, Ibovespa já precificou aumento de 25 pontos-base na Selic

SÃO PAULO - Não foi por falta de tentativas que o Ibovespa não passou da marca dos 70 mil pontos nesta semana. Em alguns momentos, o índice conseguiu "furar" a linha, jargão usado para identificar o rompimento de um suporte. No entanto, a volatilidade foi mais forte, e a pontuação ficou em 69.341, com alta de 0,72% na semana.

Para Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, essa dificuldade acontece porque os investidores começam a ter a percepção de que o preço está mais elevado, e por isso agem com mais cautela nas suas decisões de compra. Assim, "não dá para dizer agora se conseguiremos romper essa fronteira e se firmar nesse patamar". Campos Neto ainda aponta que os indicadores da próxima semana, que são muitos e importantes, podem até pedir por uma leve correção.

George Sanders, gestor de recursos da Infinity Asset, sinaliza direção de alta, mas afirma que pode ter algum movimento de realização, já que o índice acumula mais de 4% de valorização neste mês. Além disso, Sanders tem a mesma linha de raciocínio de Campos Neto, e aponta que os investidores estão muito sensíveis a indicadores econômicos, e a semana, como foi dito acima, está repleta deles. Apesar disso, para o primeiro semestre, Sanders trabalha com o Ibovespa acima da máxima histórica, que é de 73.516 pontos.

Copom

No cenário interno, a semana tem um indicador de peso: a decisão sobre a política monetária do País. Com a inflação pressionando, muitos, como George Sanders, acreditam que a autoridade monetária optará por subir a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, já nessa reunião. "Acredito que não só o Ibovespa, mas o mercado como um todo está precificando uma alta de 0,25 pontos percentuais", afirmou o gestor da Infinity Asset. Já uma alta mais agressiva, de 0,50 p.p., poderia ter maior impacto e afundar um pouco o índice, ressalta.

Já o economista-chefe do banco Schahin acredita que a elevação só ocorrerá em abril, mas não se sentiria surpreendido por uma alta nesta reunião, argumentando que existem justificativas para isso. Comentado o possível efeito sobre o Ibovespa, Silvio Campos afirmou que "sempre tem uma migração de valores da renda variável para renda fixa, mas não esperamos efeito muito pesado, porque a visão dos estrangeiros continuaria muito boa, a despeito do aumento de juros".

Investidor estrangeiro e pessoa física

Aliada a essa consolidação de boas perspectivas para a economia brasileira entre os investidores estrangeiros, Silvio Campos Neto avalia que a conjuntura externa mais positiva incentivou o retorno do capital estrangeiro em março. Mas ressalta que é um movimento cíclico.

Sanders aponta que o ímpeto do investidor estrangeiro diminuiu, e agora temos entradas mais pontuais, que podem ser favorecidas por IPOs (abertura de capital) nesse mês, como os da OSX e da Renova Energia.

Por esses motivos, a elevação da participação do investidor pessoa física no Ibovespa, que contabiliza 33,3% neste mês, frente a 29% em fevereiro, é positiva, segundo os analistas. Campos Neto argumenta que é um investidor mais estável, o que pode compensar a volatilidade da participação dos estrangeiros. "Dá mais estabilidade para as cotações", resume. 

George Sanders aponta que é um indício de melhora da educação financeira. Além disso, os juros mais baixos historicamente incentivam a entrada na Bolsa e a diversificação de investimentos. "Está certo. Temos boas oportunidades na Bolsa", resume.

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