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12/03/2010 - 11h59

Vale sustenta a liderança entre as mais recomendadas pelos analistas em março

SÃO PAULO – A Petrobras reduziu a distância em relação à Vale nas carteiras recomendadas para o terceiro mês do ano. Entretanto, com 21 recomendações entre as 26 carteiras analisadas pela InfoMoney, a mineradora assegura isolada o primeiro lugar nas preferências dos analistas, 6 votos à frente da estatal, que aparece na segunda posição. A Usiminas completa o pódio, com 11 recomendações.

As carteiras consideradas neste mês, que incluíram bancos e corretoras, foram: Souza Barros, BB, Safra, Itaú, BTG, Link, Bradesco, Amaril Franklin, XP, Socopa, Planner, Citi, HSBC, Win, Ativa, Ágora, Banif, Omar Camargo, Brascan, TOV, SLW, Coin, Senso, PAX, Pilla e Spinelli. 

Vale segue na liderança

As 21 recomendações para os papéis preferenciais da Vale incorporam expectativas positivas para o reajuste dos preços do minério de ferro, em meio a especulações de mercado acerca dos negócios com o Japão. A proposta de emissão de Eurobônus da companhia também colocou a mineradora no topo das preferências dos analistas para o mês.

A média das estimativas aponta para aumento entre 30% e 50% no preço dos contratos de longo prazo de fornecimento de minério de ferro. “É consenso de que o mercado de minério permanece apertado, com pouca oferta adicional e problemas na oferta, o que deverá manter o preço da commodity elevado no curto e médio prazo”, revelaram os analistas da Itaú Corretora.

De acordo com matéria publicada recentemente no jornal Nikkei, a Vale teria proposto um reajuste acima dos 90% ao preço do minério de ferro em suas operações com o Japão. Contudo, a mineradora brasileira não confirmou as informações. Na China, o pedido foi negado, conforme informações da agência Dow Jones.

Se confirmado, o movimento de reajuste de 90% ficaria acima das últimas projeções do mercado. A notícia animou os analistas, uma vez que, historicamente, o preço do minério de ferro é adotado através do sistema benchmark, no qual as mineradoras negociam com cada cliente os valores que vigorarão durante o ano, sendo que o primeiro reajuste servirá como base aos demais.

Ação  Recomendações 

Vale 21
Petrobras 15
Usiminas 11
Itaú Unibanco 10
Gerdau 10
BM&F Bovespa 8
Lojas Americanas 7
Bradesco 6
Os analistas da Bradesco Corretora destacaram que se os rumores forem verdade, as ações da mineradora devem repercutir positivamente. “Se um forte aumento do preço do minério de ferro como esse se materializar de verdade, seria muito positivo para a Vale, já que é bem acima da nossa premissa estimada de aumento do preço para 2010, de 35%”, argumentam os analistas. 

Ademais, as recomendações para a mineradora também repercutiram a intenção da companhia de emitir Eurobônus denominados em euros no mercado de capitais global. O capital levantado será utilizado para "propósitos corporativos em geral", segundo a companhia. Os bônus serão obrigações sem garantias e a Vale solicitou que eles sejam inseridos na listagem oficial da Bolsa de Luxemburgo.

A agência de classificação de risco Fitch Ratings concedeu um rating de longo prazo “BBB” à proposta de emissão de eurobônus da Vale. Entre os aspectos citados pelos analistas, estão o sólido perfil financeiro da companhia, as perspectivas de recuperação de seus ganhos nos próximos anos, sua liderança em diversos segmentos e a elevada qualidade de seus produtos.

Ademais, vale mencionar que o UBS elevou a recomendação dos ADRs (American Depositary Receipts) da Vale, de neutra para compra, citando o valuation atrativo dos papéis devido à recente correção. Além disso, os analistas ressaltaram a expectativa de que a demanda física será forte no primeiro semestre de 2010.

Petrobras aumenta número de recomendações

Com 15 votos para suas ações preferenciais - um a mais que o visto no mês passado-, a Petrobras segue como vice-líder nas recomendações dos analistas para março. O plano de capitalização da empresa continua como o principal foco das projeções, mas em março dividiram espaço com as estimativas de investimentos da companhia e as descobertas de novos poços. 


A Petrobras submeteu ao governo sua proposta de dispêndio e investimento referentes a 2010. Em nota, a estatal salientou que nos documentos encaminhados ao governo consta o limite orçamentário autorizativo de investimento de R$ 79,5 bilhões. Do montante total, R$ 35,69 bilhões representam investimentos em exploração e produção, enquanto que outros R$ 30,75 bilhões serão injetados na área de abastecimento e petroquímica.

Além disso, mais R$ 4,82 bilhões serão destinados a gás e energia, enquanto que R$ 5,01 bilhões terão como finalidade questões internacionais. Distribuição, biocumbustível e gastos corporativos receberão R$ 660 milhões, R$ 750 milhões e R$ 1,76 bilhão, respectivamente. A petrolífera salienta ainda que os planos de negócios referentes ao intervalo entre os anos de 2010 e 2014 “encontram-se em discussão”.

Ainda em relação às aplicações financeiras da estatal, a Itaú Corretora espera que o capex (capital expenditure) da Petrobras em 2009 tenha sido de R$ 70 bilhões. De acordo com os analistas, o número ficaria praticamente em linha com os R$ 72,3 bilhões anunciados pela estatal em 2008 como montate a ser investido no exercício seguinte.

As descobertas de novos poços também animaram os analistas a recomendar os ativos da petrolífera. Recentemente, a companhia descobriu um poço de petróleo em terra na Colômbia, com potencial inicial de extração de mais de mil barris por dia. As operações de teste continuam e são realizadas pela Petrobras Colombia Limited. 

Por aqui, a nova descoberta de petróleo foi na Bacia de Santos, conforme dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Os vestígios foram encontrados no poço 3BRSA788SPS, localizados em lâmina d’água de 2.118 metros, no bloco BM-S-9, o mesmo dos poços Guará e Carioca. Vale ressaltar que a Petrobras é a operadora do projeto, com uma fatia de 45%. A BG e a Repsol detêm o restante, com participações de 30% e 25%, respectivamente.

No mais, os analistas do Citigroup destacam que são “compradores” das ações da petrolífera em 2010. “Enquanto o primeiro semestre pode ser volátil devido às incertezas quanto à regulação do sistema brasileiro para o setor e ao aumento de capital da Petrobras, esperamos que os preços das ações tenham um forte desempenho neste ano”, avaliam.

Usiminas assume o terceiro lugar no pódio

A Usiminas foi a terceira colocada nas carteiras recomendadas para o mês, com 11 votos. Para este mês, as recomendações à siderúrgica refletem os resultados positivos do último ano e novidades sobre uma possível nova emissão de ações por parte da companhia.


Depois da divulgação de seus resultados, a Usiminas observou um rali de suas ações na bolsa. Mais que o resultado em si, o mercado começa a prestar maior atenção nos ativos de mineração da companhia. Pudera. O Conselho Administrativo da siderúrgica autorizou sua Diretoria Executiva a trabalhar em novas propostas para o setor de minério de ferro.“Deverá ser considerada a segregação dos ativos que compõem estes negócios em uma sociedade controlada pela Usiminas”, sublinha o anúncio.

E vai além. Na teleconferência dos resultados, o CEO (Chief Executive Officer), Marco Antônio Castello Branco, confirmou que é de interesse da empresa criar valor para seu negócio de mineração, através de alternativas que envolvem parceiros estratégicos e a possibilidade da divisão se tornar pública. O fato novo é a expectativa de um IPO (Initial Public Offering) da divisão J. Mendes.

De acordo com matéria da Revista Ferroviária, a intenção da Usiminas é realizar ainda este ano a cisão de seus ativos de mineração e logística com o objetivo de criar uma nova empresa responsável pelo eixo mineração-ferrovia-porto, operação conhecida como spin-off.

Ainda segundo a matéria, o foco é atrair um sócio estratégico minoritário para esta nova empresa para posteriormente abrir seu capital na bolsa. As declarações da teleconferência reforçaram os rumores, alimentando a possibilidade da Usiminas buscar a formação de uma joint-venture com este sócio estratégico.

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