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16/03/2010 - 14h44

Retaliação aos EUA não deve gerar grandes impactos nos preços de carros importados

SÃO PAULO – No Brasil, veículos importados são para poucos. Se a retaliação aos Estados Unidos passar a vigorar como quer o Governo do País, esses automóveis podem se tornar sonho de consumo até para os mais abonados. Mas, para a Abeiva (Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores) o aumento da taxa de importação sobre os veículos importados do país norte-americano não deve afetar tanto assim o mercado de importados no Brasil.

Hoje, sobre os preços dos veículos importados é aplicada uma taxa de 35% de importação. Com a retaliação, aprovada pela OMC (Organização Mundial do Comércio), esse percentual pode passar para 50%. 

Para a associação, porém, poucas unidades serão afetadas por conta da medida anunciada na semana passada. Isso porque, do total das importações brasileiras de veículos, apenas 0,4% vêm dos Estados Unidos.

Mudanças pontuais

Nem todos as marcas, porém, estão livres dos aumentos de preços. De acordo com dados da Abeiva, das marcas que entram no País, quatro podem ter os preços alterados por importarem veículos diretamente dos Estados Unidos: BMW, Chrysler, Mercedes e Jeep.

Ainda assim, a associação considera irrisória a mudança. Para se ter uma ideia, do total de 43 mil veículos importados no ano passado, 2.141 saíram do país norte-americano – menos de 5% do total.

Dentre essas quatro marcas, a Mercedes e a BMW podem sentir um impacto maior da retaliação aos Estados Unidos por importarem mais veículos daquele país. No ano passado, por exemplo, do total de importados do país norte-americano 861 eram da BMW e 837 da Chrysler.

A Abeiva declarou, por meio de sua assessoria de imprensa, que embora sejam poucas unidades, essas marcas serão um pouco prejudicadas, por conta do alto valor agregado dos veículos. Com o aumento da taxa de 35% para 50%, elas podem perder competitividade frente aos autos vindos do Japão e até mesmo da Coreia, diz a associação.

Para Joel Leite, diretor da Agência AutoInforme, as mudanças serão insignificantes. "Acho que não vai gerar impactos", disse. Segundo ele, os veículos que as importadoras trazem para o País passam por países da América Latina, como o México, e a maioria vem de países europeus.

Preocupação

Embora a associação dos veículos importados afirme que o mercado pode não sofrer com a retaliação, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) se diz preocupada com a sobretaxa. Para a associação, a inclusão dos automóveis na lista preocupa e deveriam haver soluções sem reflexos negativos para o setor automotivo.

Já o presidente da Fenabrave  (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), Sergio Reze, disse que o consumidor deve ser o mais prejudicado se houver aumentos nos preços, mas ressaltou que ainda não é possível prever a profundidade do impacto. Apesar disso, ele considera que "não deve haver um estrago grande".

Para poucos, mas em crescimento

Comprar um carro importado custa caro. Mas um levantamento feito pela Agência AutoInforme e Molicar identificou 35 opções de importados cujos preços, em fevereiro, variaram entre R$ 90 mil e R$ 110 mil. O importado que se encontra na faixa de preço mais baixa identificada pela pesquisa é o da Chamonix Super 90, motor 1.6, de duas portas, a gasolina.
Já os modelos que se encontram na faixa de preço maior são: Audi (A3 Sport Back, motor 2.0, 20 válvulas, duas portas, a gasolina), Hyundai (Santa Fé GLS, 2.7, quatro portas, a gasolina), Mitsubishi (Pajero Sport, 2.5, a diesel) e Subaru (Forester, 2.5, quatro portas, a gasolina). 

Mesmo com preços para poucos bolsos, o número de emplacamentos de automóveis importados registrou aumento de 34,2% no ano passado, frente a 2008. Em 2009, 40.920 unidades foram emplacadas. Os dados se referem às 13 marcas filiadas à Abeiva.

“Estamos convictos de que 2010 será um ano excepcional para o nosso setor, tanto na categoria luxuosos como na de veículos de entrada ou de trabalho”, considerou, por meio de nota, o presidente da entidade, Jörg Henning Dornbusch. “Com isso, esperamos que as associadas à Abeiva signifiquem ao menos 2% de participação do mercado total interno”.

Retaliação

Na semana passada a OMC autorizou o Brasil a sobretaxar produtos vindos dos Estados Unidos como forma de punir o país norte-americano por subsidiar a produção de algodão. Com o incentivo, o algodão norte-americano chegava ao Brasil com preços competitivos, o que prejudica a produção nacional. 

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