UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

17/03/2010 - 17h06

Confisco do Plano Collor ainda gera insegurança no investidor

SÃO PAULO - O confisco da poupança, decorrente do plano Collor 1, já aconteceu há 20 anos, mas ainda influencia os investidores brasileiros. A afirmação é da doutora em psicologia econômica, Vera Rita de Mello Ferreira.

"Muita gente que passou pelo confisco ainda hoje tem receio de investir. E mesmo quem não passou ativamente pelo confisco sofre as consequências. O filho de alguém que teve seu dinheiro bloqueado e ouviu durante muitos anos o pai comentando como aquilo dificultou a vida deles também vai ficar receoso na hora de investir, é natural", afirma Vera.

A doutora ainda completa: "no ano passado, com a queda dos juros, a poupança voltou a ser um bom investimento para quem queria alocar seu dinheiro em renda fixa. Com isso, muita gente migrou dos fundos para a poupança. Para limitar esse movimento, o governo anunciou que estudava fazer mudanças na poupança. Esse anuncio assustou muita gente, e todo mundo se questionou se haveria novo confisco. Alguns até retiraram seu dinheiro de lá. Isso prova que, embora já faça 20 anos, ainda há uma dor e um medo muito presente nos brasileiros".

Medo de perder

Ainda segundo a especialista, há uma explicação para que fatos negativos relacionados ao dinheiro sejam tão marcantes para as pessoas.

"Existe uma teoria do psicólogo israelense - prêmio Nobel de Economia - Daniel Kahneman, chamada teoria do prospecto, que explica essa situação. Segundo ela, os seres humanos não gostam de perder e, para eles, a sensação da perda é duas vezes pior do que a situação boa de ganhar. Por exemplo, uma pessoa que perde R$ 50 ao andar na rua sente duas vezes mais do que uma pessoa que fica alegre por achar R$ 50 na rua", conta.

De acordo com Vera, é com essa teoria que se pode explicar o fato de que alguns investidores que obtiveram um grande lucro em alocações em renda variável, mas depois amargaram perdas, lembrem-se mais desse momento e se sintam receosos de voltar a investir na modalidade.

Superando o medo

Na opinião de Vera, quem se sentir amedontrado em investir em determinada modalidade, em razão de traumas surgidos em situações passadas, deve tentar superar esses medos para não ter sua vida financeira prejudicada. "Tem gente que escuta de profissionais que, para o perfil dele, o melhor investimento é a Bolsa, mas tem receio de perder tudo como ouviu o vizinho dizendo. Situações assim podem atrapalhar que a pessoa tenha uma vida melhor e, portanto, é preciso que a pessoa se esforce para superar", conta.

Segundo ela, o mais eficaz é conversar com pessoas que tiveram experiências diferentes em seus investimentos. "Se a família toda se prejudicou com o confisco do Collor, não adianta conversar com pai, mãe ou irmão sobre o medo de deixar seu dinheiro na poupança. É preciso conhecer gente que teve boas experiências e então pesar os prós e os contras. Em casos mais graves, eu aconselho até que o investidor procure um profissional da área de psicologia", finaliza.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host