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17/03/2010 - 13h05

Estabilidade econômica e crédito incentivam crescimento da classe C

SÃO PAULO – O acesso ao crédito e a estabilidade econômica mudaram a pirâmide social do País. Para especialistas, o novo cenário econômico influenciou essas mudanças e fez surgir a nova classe média brasileira. O perfil desse segmento da população foi tema de debate realizado na última terça-feira (16) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). 

A discussão teve como base um estudo realizado pela Confederação e conduzido pelos cientistas políticos Amaury de Souza e Bolívar Lamounier. O estudo identificou que no mundo existem cerca de 400 milhões de pessoas pertencentes à classe média e estima que até 2030 outras 2 bilhões de pessoas devem entrar nesse segmento.

Para manter esse crescimento, o presidente da confederação, Armando Monteiro Neto, acredita que é preciso manter a inflação em patamares baixos e aumentar os investimentos em educação, que é um fator de ascensão social.

Um novo estilo de vida

Neto acredita que o novo consumidor não é apenas classificado por conta da renda. O modo como a classe C se comporta, pensa e age também é considerado na hora de traçar o perfil desse segmento. 

De acordo com o presidente da CNI, a classe C é mais aberta a mudanças, porém, é mais conservadora quando se vê em situações de riscos. Um perfil diferente daquele identificado há algumas décadas.

O professor da Universidade de São Paulo, Leandro Piquet Carneiro, que estava presente no debate, lembrou que, entre 1950 e 1980, a classe média era considerada um “apêndice” da sociedade, enquanto que os trabalhadores formavam o grupo que exercia o protagonismo político.

Porém, com as mudanças na economia, esse cenário mudou. Agora, o mais importante são mercados mais fortes. Para Amaury de Souza, com a estabilidade econômica o aumento da oferta de crédito impulsionou o crescimento da nova classe C.

Diferente da classe média tradicional, o cientista político acredita que a nova classe média não tem ou tem de forma muito limitada patrimônio, capital e redes de relacionamento.

Amaury lembrou que, apesar das mudanças, a nova classe média ainda não investe tanto em educação como a tradicional. "Há um investimento em capital humano, mas ainda há um longo caminho a percorrer para que a nova classe média invista tanto na educação como a tradicional fez", completou. 

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